Por tabata.uchoa
Fotos de Vitor Jatobá inspirada no textos do site ‘Rio%3A Passagens’%3A ‘Vista’Vitor Jatobá

Rio - Tanto faz se é escrita, falada, desenhada ou filmada. Para Vinicius Jatobá, idealizador do site ‘Rio: Passagens’ (www.riopassagens.com), o importante é que, de um jeito ou de outro, a literatura se torne cada vez mais atraente e acessível a todos. “Sempre olhei a internet como fonte de conhecimento. Mas decidi encará-la como fonte de produção”, diz ele, que, ao mudar de visão, investiu no universo transmídia, reuniu 12 contos e 12 poesias de 18 autores e os associou a áudios, ilustrações, vídeos e fotografias, que têm como inspiração o Rio de Janeiro, em comemoração aos seus 450 anos, e que estarão disponíveis gratuitamente a partir de amanhã na rede.

“Acredito que a literatura pode ir para outros espaços. Você não precisa somente ler um livro para ter experiências literárias”, defende Jatobá, que também assina um dos contos do site, definido por ele como uma antologia virtual transmídia. “Penso muito em acessibilidade. O cara que não enxerga pode ouvir a história. E aquele que só tem preguiça de ler já não tem mais desculpa”, aproveita para provocar.
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Aliás, nem quem fala outra língua tem desculpa para ficar de fora dessa. Além dos recursos visuais como vídeos e ilustrações inspirados nos contos e poemas, todos os textos foram traduzidos para o inglês, o francês e o espanhol, as histórias fogem de cartões-postais tradicionais do Rio e pretendem ganhar o mundo.“A ideia é pensar sobre os espaços da cidade e dar voz a ela”, explica o idealizador do projeto.
“Todos nós estamos tentando tatear o campo da internet. O site tem possibilidades que o livro não tem, é um outro veículo”, opina o colunista do DIA Fernando Molica, autor de um dos contos, o ‘Tamborim’, que fala sobre o bairro de Piedade. “O Vinicius tinha sugerido outros bairros para o conto, mas eu fui criado em Piedade até os 15 anos. Tinha que ser lá, que é um lugar que não tem a badalação de bairros da Zona Norte como Madureira”, recorda o jornalista, que teve a inspiração para criar a história após ganhar um tamborim de verdade.
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“Eu fiquei com aquele troço que não sei tocar, pois não tenho nenhum ritmo”, diverte-se ele, sobre o instrumento que o fez criar a história de um homem com a mesma dificuldade musical que ele. Na história, o personagem recorda o bairro onde cresceu no Rio com os olhos de quem já não mora na cidade. “Lembrei de vários amigos que foram morar em São Paulo por causa de trabalho e que, quando vêm para o Rio, tudo vira uma festa”, completa Molica.
Em um ambiente mais badalado, mas inspirado em uma história real pouco conhecida, o conto assinado por Adriana Armony se passa no Theatro Municipal. “O Vinicius sabia que eu fazia balé e me perguntou se eu podia fazer algo sobre o Theatro Municipal. Então, uma professora minha me contou a história de uma inundação que teve no Rio durante a apresentação de ‘La Sylphide’ e ninguém pôde sair de lá, tiveram que dormir no teatro”, diz a autora, sobre o conto ‘Sílfide’, que faz jus a um costume carioca: quando chove, a cidade para. “É muito gratificante para o autor ver o seu conto sendo lido. O site tem a parte visual, auditiva, as traduções. Isso amplia muito o número de leitores”, avalia Adriana, sobre a iniciativa.
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“Fiz questão de selecionar autores jovens, mas também escolhi autores que estão no meio de sua trajetória, como o Paulo Scott, além dos veteranos, como o Nei Lopes, quem eu admiro muito”, diz Jatobá. Outra exigência do idealizador foi que os escritores possuíssem estilos diferentes para que os textos atraíssem e agradassem a diversos tipos de gostos literários. “Fizemos uma antologia. É como um livro virtual gratuito.”
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