Após 15 anos, 'brota' o disco do Grupo Semente

Encontro de talentos no Teatro Rival reúne a nata do samba

Por O Dia

Rio - Plantada no fim do século passado, a semente cresceu formosa. Deu flor, deu frutos, e a safra atual é poderosa, com o primeiro disco brotando aos 15 anos de vida. Reunião mais importante de músicos, entre as citadas quando o assunto é a revitalização da Lapa, o Grupo Semente sobe nesta terça-feira no palco do Teatro Rival, às 19h30, para celebrar um encontro casual de talentos, de diferentes gerações e berços, que escreve capítulo saboroso na história do samba carioca.

Ninho de artistas como Teresa Cristina e Pedro Miranda, fundamentais na trama contemporânea do gênero, o quinteto lança, com participação da dupla no palco, o CD ‘Grupo Semente’ (Biscoito Fino).

A partir da esquerda%3A Bruno%2C Esguleba%2C Bernardo%2C João e TrambiqueAlfredo Alves / Divulgação

“Temos essa característica heterogênea e democrática, onde todos opinam e influenciam. Da Zona Sul e a universidade, como eu e o Bernardo, à Zona Norte e às escolas de samba, de músicos como os mestres Esguleba e Trambique, que já tocou com Cartola. E o Bruno, grande cantor que faz a ponte”, define o cavaquinista, compositor e arranjador João Callado. Ele forma o grupo com Bruno Barreto (voz e percussão), Bernardo Dantas (violões), Marcos Esguleba e Mestre Trambique (vozes e percussões).

Do pequeno Bar Semente, na Rua Joaquim Silva, onde a turma se juntou em 1998 para acompanhar Teresa Cristina, o grupo ganhou o mundo. Tocou da França à Rússia, da Índia ao Japão. Acompanhou de Marisa Monte a Dona Ivone Lara, e deleita no voo solo com belos arranjos, repertório primoroso e composições de todos os integrantes.

Da malandra ‘Mestre Marçal’ (“Se alguém me bancar, eu sei me vestir. Só me falta é roupa...”), que tem Trambique em parceria com Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro, à sofisticada ‘Nós e o Luar’, lindo samba de João Callado. Diogo Nogueira participa no clássico ‘Disritmia’, de Martinho da Vila, Pedro Miranda vai na mistura de ‘Tumba Le Lê’ e ‘O Facão Bateu’, e Teresa Cristina curte os breques de ‘Alô João’, de Vinicius de Moraes e Baden Powell.

“O acaso me fez encontrar músicos com a coragem de acompanhar cantora que nunca havia se apresentado, numa Lapa deserta e quase silenciosa. O Semente, eu e a Lapa já não somos os mesmos, mas que caminho bonito percorremos, meu Deus. Hoje o grupo é como um filho debutante, traçando seu próprio caminho”, afirma Teresa Cristina.

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