Comédia lidera bilheteria dos filmes nacionais e Hassum brilha em três delas

Ator acredita que o segredo de seu sucesso é conseguir arrancar risadas sinceras

Por O Dia

Rio - No balanço de 2014, o mercado nacional não teve a mesma sorte que os blockbusters estrangeiros e, ao contrário de 2013, desapareceu do top 10 dos filmes mais vistos do ano. Só para se ter uma ideia, o americano ‘A Culpa é das Estrelas’, melhor bilheteria do ano, foi visto por 6,2 milhões de pessoas, o dobro do público de uma das melhores bilheterias nacionais, ‘Até Que a Sorte Nos Separe 2’, que teve 3,198 milhões.

Apesar da queda, o gosto de quem frequenta o cinema por aqui continua o mesmo e o humor segue como o gênero que mais atraiu renda na indústria cinematográfica do país. Tanto que, de janeiro a dezembro, além de ‘Até Que a Sorte Nos Separe 2’, o ‘Candidato Honesto’ ficou em segundo lugar do pódio, com um público de 2,253 milhões, segundo dados do portal ‘Filme B’.

Leandro Hassum brilha em três comédiasDivulgação

Protagonista de ambos os longas, Leandro Hassum acredita que o segredo de seu sucesso é conseguir arrancar risadas sinceras. “Faço um humor para toda a família e gosto do improviso. A surpresa em cena traz um riso sincero”, diz o ator. E a fórmula do sucesso de Hassum parece ser infalível. Além de ter atraído quase 5,5 milhões de expectadores às salas nacionais com os filmes brasileiros, ele também protagoniza ‘Vestido Para Casar’ — dono do sexto lugar do ranking, somando um pouco mais de 1,275 milhões em público.

“Fico pensando que se o brasileiro fosse um gênero cinematográfico, seria a comédia. Não temos cara de drama, por exemplo”, opina o cineasta Felipe Joffily, que lança esta semana ‘Os Caras de Pau’ (também com Hassum no elenco) e responsável pela direção de outra comédia, que é a quinta produção nacional mais vista em 2014: ‘Muita Calma Nessa Hora 2’ (1,432 milhões).

‘Os Homens São de Marte... E É Pra Lá Que Eu Vou’, ‘S.O.S Mulheres ao Mar’ e ‘Copa de Elite’ também pertencem ao time da comédia e lideram o top 10 nacional com o terceiro, quarto e décimo lugar, respectivamente. Mas nem só de riso é feito o mercado brasileiro. “Adoro comédia, mas acho que precisamos investir em todos os gêneros”, destaca Joffily. E foi exatamente o que foi feito em 2014. Novos gêneros foram testados e, mesmo com cifras e distribuição modestas, mostram que a produção brasileira também tem espaço para outros tipos de histórias.

Este ano, ainda segundo o Filme B, estrearam mais opções de títulos para os fãs de outras vertentes cinematográficas em relação a 2013. Teve terror, representado por ‘Quando Eu Era Vivo’, de Marco Dutra; suspenses, como ‘O Lobo Atrás da porta’, de Fernando Coimbra, e ‘Alemão’, de José Eduardo Belmonte (dono do sétimo lugar do pódio nacional); e dramas, como ‘Praia do Futuro’, de Karim Aïnouz, que concorreu ao Urso de Ouro no Festival de Berlim 2014.

Aliás, por falar em representar o país no exterior, ‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’, de Daniel Ribeiro, é outro drama dono de um currículo invejável. O filme também esteve no festival alemão, onde faturou o prêmio da crítica e foi escolhido para disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2015, mas acabou não sendo selecionado pela Academia.

O filão jovem ganhou a adaptação de Daniel Filho de ‘Confissões de Adolescente’ para o cinema e garantiu o nono lugar no ranking. Mas foi a produção das cinebiografias que mais se multiplicou em 2014. Além de ‘Tim Maia’, que entra no top 10 como oitavo da lista, tivemos ‘Getúlio’, ‘Irmã Dulce’, ‘Não Pare Na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho’ e ‘O Senhor do Labirinto’, sobre Arthur Bispo do Rosário.

“Para você formar públicos, tem que acostumar o pessoal desde garoto com a produção nacional. Você pega uma pessoa que vê um filme brasileiro pela primeira vez aos 16, 18 anos, aí parece que o filme que é uma coisa estrangeira para ele”, avalia o cineasta Helvécio Ratton.

Como uma das medidas de defesa do mercado nacional, exibidores e distribuidores entraram em um consenso junto a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e assinaram um termo onde se comprometem limitar o lançamento dos blockbusters nos cinemas do país, a partir de 1º de janeiro de 2015.

O acordo estabelece cotas para a exibição de um mesmo filme em complexos de mais de três salas e visa repetir que grandes produções estrangeiras se concentrem em apenas uma região ou entrem em cartaz em todas as salas cinematográficas do Brasil. Sendo assim, em um complexo de três a seis salas só pode exibir um mesmo título em até duas delas. Nos cinemas de sete a oito salas, o limite é de duas salas mais uma com sessões divididas com outras produções. O número cresce para três em complexos entre nove e 11 salas; para quatro, entre 12 e 14 salas; e para cinco, entre 15 e 18 salas.