Casa de cultura no Humaitá mistura cinema e arte cênica

Peça se transforma em filme em mescla assinada por Christiane Jatahy

Por O Dia

Rio - Enquanto é encenada ‘E Se Elas Fossem Para Moscou’, no palco do Espaço Sérgio Porto, na sala ao lado a peça se transforma em filme. O público só precisa escolher entre o cinema ou a arte cênica. A partir do dia 9, essa mistura de linguagens assinada por Christiane Jatahy e outros trabalhos derivados de duas décadas de carreira da diretora ocupam toda a casa de cultura do Humaitá, provando que as duas vertentes podem, sim, ser uma só.

“As diferentes áreas artísticas estão cada vez mais misturadas. O crescimento da tecnologia e da internet ampliou a nossa possibilidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo”, avalia Christiane, que tem uma justificativa especial para promover o casamento de teatro e cinema em sua última peça.

As atrizes da peça%3A Isabel Teixeira (E)%2C Julia Bernat e Stella RabelloDivulgação

“‘E Se Elas Fossem Para Moscou’ tem a ver com o sentimento de estar em um lugar se imaginando em outro. Usei essa fusão para provocar o público em relação a isso”, explica a diretora, sobre a trama baseada no clássico ‘Três Irmãs’, de Tchekhov. Na história, Olga, Irina e Maria moram no interior, mas sonham ir para a capital da Rússia após a morte do pai.“

Mais que uma repetição, peça e filme são complementares”, destaca a diretora, que a partir da imagem de três câmeras, edita e monta as cenas projetadas na sala ao lado do teatro, em tempo real.

Essa ideia nasceu de uma pesquisa que acabou se tornando o documentário ‘Utopia.doc’, também em cartaz no Espaço Sérgio Porto. Christiane percorreu São Paulo, Frankfurt e Paris, entrevistando pessoas sobre seus sonhos. As respostas vinham como cartas ou vídeos e chamaram a atenção da diretora.

"Uma coincidência que me impressionou muito foi que as pessoas desejam as mesmas coisas. O sonho de uma japonesa imigrante é igual ao de uma mulher nascida no Irã. E se a gente sonha parecido, mesmo de culturas diferentes, é porque somos muito mais semelhantes do que imaginamos”, reflete a idealizadora do projeto.

"É um documentário sobre encontros, pessoas escrevendo e conversando sobre utopias. Durante esse processo, estavam sempre presentes as atrizes que fazem as três irmãs (Isabel Teixeira, Julia Bernat e Stella Rabello). Então, é como se elas estivessem indo até a casa das pessoas pelo mundo e perguntando sobre suas utopias”, conta a idealizadora, que acredita ter feito um filme político por coincidência. “As pessoas falam muito em acabar com as fronteiras dos países e as interpessoais. Minha utopia é essa: um mundo sem fronteiras, inclusive nas expressões artísticas”.

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