Luis Antonio Simas: Com que fantasia?

Chegou a hora de escolher a fantasia de 2015. Com o calor que está fazendo, acho que vou de Luz Del Fuego

Por O Dia

Chegou a hora de escolher a fantasia de 2015. Com o calor que está fazendo%2C acho que vou de Luz Del FuegoAgência O Dia

Rio - Não dou sorte com fantasias. Na minha infância abissal, quando as mulheres da família escolhiam as roupas que a molecada lá de casa usaria nos bailes de Carnaval, passei por situações vexatórias que eu só pensava revelar depois da morte, a um médium de mesa branca. Conto, todavia, aos amigos.

Lembro-me que fui índio do Velho Oeste (mais precisamente o Pequeno Chefe Touro Sentado), Faraó Ramsés II, pirata, piolho, sheik árabe e Emerson Fittipaldi — ocasião em que fiquei entalado na privada infantil do banheiro do aristocrático Fluminense Football Club, durante o Baile do Cartolinha.

Nunca fui muito chegado aos bailes de salão, sobretudo depois desse episódio em que a privada do pó de arroz foi o cockpit da minha Lótus. Eu era um daqueles moleques bundões que ficavam durante o baile absolutamente parados, jogando confetes e serpentinas para o alto, com uma expressão corporal parecida com a de um cágado sob efeito de Rivotril.

Na adolescência colecionei retumbantes fracassos. Fantasiei-me de espinha e quase fui expulso de um baile de terceira categoria em Rio das Ostras. A fantasia consistia em pintar o rosto de vermelho e encher a boca de maionese, para simular o pus. Com gestos, pedia para alguém apertar as minhas bochechas e imediatamente cuspia a maionese. Fui denunciado por fazer porcaria no salão e acabei tomando uma dura pesada.

Em escolas de samba era a mesma coisa. Desfilei de camundongo em ala das crianças, guerreiro africano, imigrante japonês, escravo de Nabucodonosor na Babilônia, periquito de realejo e similares. O ano em que saí de pomba do Divino Espírito Santo foi decisivo e jurei nunca mais desfilar fantasiado; promessa que mantenho.

Nos últimos anos, todavia, para animar o meu filho, resolvi me fantasiar para brincar nos blocos mais discretos. Saí de Penélope Charmosa, topete de Elvis Presley e defunto. Fui relativamente bem-sucedido. No ano passado, porém, o fracasso foi total. Resolvi me fantasiar de Conde Drácula, com direito a capa, maquiagem e o escambau. Resultado: tive um princípio de insolação, quase morri de calor e minha fantasia de vampiro foi confundida com a de ministro do Supremo Tribunal Federal.

Faço esse desabafo porque chegou a hora de escolher a fantasia de 2015. Com o calor que está fazendo, acho que vou de Luz Del Fuego, a atriz brasileira que fazia espetáculos pelada. Boto uma peruca e mando ver. Meu receio apenas é que, em virtude da barriga de chope, acabem achando que estou fantasiado de Carlos Imperial em tempos de pornochanchada.

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