Projeto relembra músicas dos quatro primeiros discos de Alceu Valença

Punhal de Prata apresenta canções como 'Sol e Chuva' no Audio Rebel

Por O Dia

Rio - Voz, guitarra, pedais e psicodelia misturada à música brasileira invadem o evento Quintavant nesta quinta e sexta, no Audio Rebel, em Botafogo. O projeto Punhal de Prata traz a percussionista, compositora e cantora Alessandra Leão e o guitarrista Rafa Barreto relembrando as músicas dos quatro primeiros discos de Alceu Valença: 'Alceu Valença e Geraldo Azevedo' (1972, conhecido como 'Quadrafônico'), 'Molhado de Suor' (1974), o ao vivo 'Vivo!' (1976) e 'Espelho Cristalino' (1978). 

Percussionista%2C compositora e cantora Alessandra Leão e o guitarrista Rafa BarretoJosé de Hollanda / Divulgação


Entre as músicas relembradas pelos dois (e também pelo compositor e cantor Rodrigo Caçapa, que toca guitarra com Rafa) estão preciosidades da MPB pernambucana dos anos 70, como 'Papagaio do Futuro', 'Sol e Chuva', a própria 'Punhal de Prata' e outras. O show vem sendo apresentado em outras cidades - por conflitos de agenda, ainda não foi levado ao palco justamente em Pernambuco - e vem deixando saudades em fãs de Alceu. Justamente o próprio cantor de músicas como 'Anunciação' e 'Tomara' ainda não assistiu ao espetáculo, que deve pelo menos ganhar um registro em estúdio.

"A gente sempre marca o Alceu nas postagens do Facebook quando divulga o show. De repente ele já ficou sabendo. Acredito que ele já tenha visto algum vídeo que disponibilizamos", diz Alessandra, que foi do grupo Cumadre Fulozinha, lançou recentemente o disco solo 'Pedras de Sal' (solta mais dois EPs até o fim do ano) e não conhece Alceu pessoalmente. Rafa, por sua vez, é filho de um parceiro do cantor, Vicente Barreto, conhece Alceu, mas também não chegou a conversar com ele sobre o show.

"Se ele não pediu ainda para a gente parar, é porque é para a gente continuar, né?", brinca a cantora. Criador do Quintavant, o produtor Bernardo Oliveira diz que Alceu não vai se arrepender se passar por lá para ver o show. "As soluções que eles encontaram para reinterpretar esse repertório incrível do Alceu são muito interessantes: roupagens, secas, áridas, espaço para silêncios".

As músicas do show representam a chegada do som pernambucano às rádios do Rio (e às gravadoras do eixo Rio-São Paulo), no comecinho dos anos 70, cmo lembra Alessandra. "O primeiro disco do Alceu é também o primeiro de Geraldo. Esse período representa bastante o 'underground' pernambucano da época. E não tinha só eles: tinha Lula Côrtes, Ave Sangria (grupo que revelou o guitarrista de Alceu, Paulo Rafael, e que existe até hoje). Escuto essa fase do Alceu desde bem pequena e é o período mais visceral, mais selvagem do trabalho dele", recorda Alessandra. "Muita gente só conhece alguma música, ou poucas dessa época. Eu mesmo achava que conhecia tudo e descobri que não era bem assim!".

AUDIO REBEL. Rua Visconde Silva 55, Botafogo (3435-2692). Quinta e sexta, às 20h. R$ 15. 18 anos.

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