Bia Willcox: Sejam fofos

A comunicação hoje é simples, direta, monossilábica, gravada, raramente presencial

Por O Dia

Rio - Sabe quando você tem a impressão de falar em AM e os outros em FM? Ou quando, como em certos sonhos, você tenta falar e ninguém escuta? No emaranhado de mensagens, e-mails, táxis, sinais e engarrafamentos, me sinto meio assim — como se nos perdêssemos na comunicação. A comunicação hoje é simples, direta, monossilábica, gravada, raramente presencial.

Hoje perguntamos por mensagem se podemos ligar para alguém e gravamos áudio no WhatsApp para sermos ouvidos quando der. Mensagens escritas visualizadas não são sinal garantido de retorno da sua mensagem. Se você tiver sorte (principalmente a sorte de lidar com pessoas educadas e que dão feedback) você não terá seu e-mail ignorado. Se tiver e-mail ignorado, tente reencaminhar. É provável que o destinatário diga que não tinha visto porque deve ter ido para o spam (e é até provável que seja verdade).

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Não sou santa. Sofro e faço sofrer, depende de que lado do trabalho eu estou. Há quem diga que já fiz essas coisas. Mas, juro, tento não fazer. Não deixo mensagem de WhatsApp sem resposta, nem que seja um ‘já falo com você’. E-mail meu sem retorno? Muito, mas muito raramente. Raramente também consigo atender ao telefone (uma tal lei de Murphy que me faz estar ocupada na hora em que toca), mas procuro dar qualquer tipo de retorno depois (a não ser para os inconvenientes de plantão). Enfim, tento ser fofa.

As pessoas em geral não mais se preocupam em serem educadas ou sequer em mostrar que dar retorno não é só um ato de atenção e elegância, mas, sim, de eficiência como profissional.

Não sei se é carioquice explícita localizada ou se é generalizado, fruto dos tempos. Seja qual for a razão, cariocas e cidadãos do mundo de plantão, uni-vos e provem que podem ser melhores. Sejam fofos.



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