Por daniela.lima
Publicado 27/01/2015 00:06 | Atualizado 27/01/2015 00:07

Rio - Fio extremo, paisagens brancas e telhados cobertos de neve. Na Moscou natal de Wassily Kandinsky (1866-1944), o clima e o ar gelado que castigava — e sempre castigará — a capital russa eram seus companheiros constantes. No entanto, as cores intensas que marcam sua obra lembram bem mais as paisagens de outra cidade — uma que fica no sudeste do Brasil, conhecida pelo Carnaval e pela beleza de sua natureza. Essa afinidade visual entre as criações do maior nome do Abstracionismo e as tonalidades que formam a paisagem carioca poderão ser vistas bem de perto, de amanhã até o dia 30 de março, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na exposição ‘Kandinsky: Tudo Começou Num Ponto’ — mais uma mostra que promete fazer com que as filas lotem as calçadas no entorno do CCBB. 

Na mostra%2C estão obras como ‘No Branco’ e uma das muitas imagens de São Jorge feitas pelo artistaReprodução Internet


“Trazer essa exposição até o Brasil foi bem difícil. Foram cinco anos de negociações com os responsáveis pela obra de Kandinsky. Eles tomaram todos os cuidados até permitirem que o acervo saísse da Rússia. Agora, finalmente, temos os quadros no Brasil, por um período de 11 meses”, explica o diretor-geral da exposição e responsável pela concepção do projeto, Rodolfo de Athayde. A mostra já passou por Brasília e, após o Rio, as obras seguem para Minas Gerais e São Paulo. Ficarão lá até setembro, quando serão levadas de volta à Rússia.

As dificuldades têm uma razão de ser. Um dos maiores nomes da pintura em todos os tempos, Kandinsky é considerado o fundador da arte abstrata ou daquilo que se convencionou chamar de Abstracionismo — corrente das artes visuais que busca representar a realidade de maneira não objetiva. Nela, os artistas utilizam formas geométricas, cores e traçados para retratar o que veem ao redor — os quadros feitos a partir dessa abordagem costumam mostrar uma forma bem mais subjetiva de interpretação do real.

O artista nasceu em 1866. Ainda criança, demonstrava interesse pelas artes, em especial pela pintura. Ao completar 20 anos, começou a estudar Direito. No entanto, nove anos depois, ao visitar uma exposição de impressionistas franceses, decidiu mudar o rumo de sua vida e se dedicar à pintura de forma integral. Foi viver na Alemanha, onde passou a estudar na Academia de Artes de Munique — a mudança de países seria um elemento visível na primeira fase de seu trabalho.

“Aexposição está dividida em cinco blocos, com mais de uma centena de obras e objetos pessoais. Cada um deles ajudará o visitante a entender o legado do artista”, explica a diretora científica do Museu Estatal Russo de São Petersburgo, Evgenia Petrova, que finaliza: “Além disso, quem for à mostra no CCBB vai conhecer detalhes da vida de Kandinsky e também todas as circunstâncias e situações que influenciaram seu trabalho. É importante conhecermos tudo o que o influenciou — desde os aspectos artísticos até os musicais e espirituais — para que possamos compreender sua arte da maneira mais ampla.” 

AS EXPOSIÇÕES E A CIDADE

O Rio de Janeiro tem dado uma nova dimensão à expressão ‘arte popular’. Basta fazer uma pequena análise das exposições realizadas na cidade no ano passado para perceber que as artes visuais andam cada vez mais em alta por aqui.

Nesse sentido, uma das que mais chamaram a atenção foi a do escultor australiano Ron Mueck. Em maio do ano passado, sua mostra no Museu de Arte Moderna (MAM) atingiu um público de 210 mil pessoas — 30 mil a mais que a exposição dedicada ao pintor espanhol Pablo Picasso, ocorrida em 1999, até então o recorde de público do museu.

No entanto, nenhuma outra exposição surpreendeu tanto quanto ‘Salvador Dalí’, mostra dedicada ao artista, igualmente espanhol, no CCBB. Entre os dias 30 de maio e 22 de setembro, 978 mil pessoas estiveram no espaço para visitar suas obras. A versão carioca do evento teve mais visitantes que as edições realizadas em Paris e Madri.

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