Por tabata.uchoa

Rio - No fim dos anos 60, Hollywood — por incrível que pareça — estava em baixa. Diretores experientes eram esquecidos e produções estavam sendo exibidas para plateias vazias. A mudança nesse cenário veio quando surgiu uma geração ligada à contracultura, relacionada de alguma forma ao universo do rock e da cultura pop (e, a reboque, às drogas), disposta a esfregar temas como sexo, violência, nudez e substâncias ilícitas na cara do espectador. Vários dos filmes dessa turma estão na mostra ‘Easy Riders — O Cinema da Nova Hollywood’, que começa hoje no Centro Cultural Banco do Brasil e prossegue até 14 de fevereiro, sempre com quatro filmes por dia.

Mia Farrow em ‘O Bebê de Rosemary’ (1968)%2C de Roman PolanskiDivulgação

Entre os longas exibidos (conheça toda a programação em www.facebook.com/easyridersccbb), clássicos indiscutíveis como ‘Taxi Driver’ (de Martin Scorsese, 1976), ‘O Poderoso Chefão’ (Francis Ford Coppola, 1974), ‘Sem Destino’ (Dennis Hopper, 1969, cujo nome original, ‘Easy Rider’, batiza o festival), ‘O Bebê de Rosemary’ (Roman Polanski, 1968) e o filme que inaugurou a Nova Hollywood, ‘Bonnie & Clyde — Uma Rajada de Balas’ (Arthur Penn, 1967). E raridades, como o terror de ‘Nasce Um Monstro’ (Larry Cohen, 1974).

“O ativismo, a luta pelos direitos civis e as drogas, além da busca por um cinema de autor, era o que marcava esses filmes”, diz o curador Paulo Santos Lima. “Eles tinham uma perda da inocência, típica de uma América que ainda não havia se recuperado da morte do (presidente norte-americano) John Kennedy, em 1963. Boa parte dessas produções tem muita violência, além de uma visão cética, fatalista, sobre tudo. No caso dos filmes de terror, como ‘O Bebê de Rosemary’, não era mais aquele terror ingênuo de antigamente. O mal estava em todos os cantos.”

A ligação com o rock vinha nos temas cáusticos escolhidos para os roteiros ou nas trilhas sonoras dos filmes. Algumas das tramas da época inspiraram bandas conhecidas. Os Ramones lançaram um disco ao vivo chamado ‘It’s Alive’ (1977), em referência ao título em inglês de ‘Nasce Um Monstro’.

Boa parte dos novos diretores precisou de tempo até convencer as empresas cinematográficas de que aquilo poderia dar certo — Coppola quase não foi escolhido para dirigir ‘O Poderoso Chefão’, por exemplo. “A indústria aceitou o autoral, o diretor que leva sua visão de mundo para o filme. Ele passou a ser visto como o cara que dá o norte criativo dos filmes”, conta o curador.

A mostra traz ainda outros nomes que foram se somando à geração — alguns deles popularíssimos após os anos 80, como George Lucas, Woody Allen e Steven Spielberg. “Foi essa turma que chamou o público de volta às salas de cinema”, recorda Paulo.

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