Por thiago.antunes

Rio - Visualize uma mulher deslumbrante, brilhando em uma campanha publicitária. Se você pensou em uma top de 17 anos, é bom rever seus conceitos. Se antes a moda era um espaço reservado apenas aos jovens, hoje o mercado consagra também as mulheres maduras.

A empresária Ligia Azevedo%2C 73 anos%2C está pronta para estrelar uma campanha de modaReprodução Internet

A grife francesa Saint Laurent, por exemplo, usou como o seu novo rosto a cantora folk canadense Joni Mitchell, de 71 anos. A L’Oréal escolheu a ex-modelo inglesa Twiggy, 60, para ser a nova embaixadora da marca. A atriz inglesa Helen Mirren, 69, também é uma das eleitas da empresa. O mesmo aconteceu com a Marc Jacobs Beauty, que elegeu a atriz americana Jessica Lange, 64, para ser a sua imagem.

Provando que estilo não tem idade, a decoradora americana Iris Apfel, 93, protagoniza a campanha da marca de joias Alexis Bittar. Já a italiana Dolce e Gabbana inovou ainda mais: com o mote ‘A risada de uma mulher em qualquer idade é sinônimo de pura beleza’, colocou três vovós italianas em sua campanha de verão.

Pronta para assumir o seu espaço nessa tendência, a empresária Ligia Azevedo, 73, encarou as lentes fotográficas e posou para o D Mulher mostrando a sua forma invejável. “Há três anos eu tive uma experiência como esta. Eu e mais cinco mulheres fizemos uma campanha bem bacana para a Natura. Seis mulheres com mais de 70 e profissões diferentes. Mulheres lindas e prontas para mostrar o seu valor. A questão é que nós estamos vivendo mais e com mais qualidade. Não faz sentido a gente não aproveitar este momento. E essas grifes estão incentivando as mulheres a mostrarem ousadia”, diz ela.

O desejo de viver novos desafios é uma característica de Ligia. Formada em Educação Física, na década de 80 ela foi considerada a versão brasileira de Jane Fonda, lançando vídeos de ginástica aeróbica, assim como a atriz americana. Mais tarde, passou a administrar spas.

Confiante, a empresária acredita que as marcas brasileiras vão embarcar nessa onda e torce para ver o seu rosto estampando uma campanha. “A beleza madura atrai olhares e o mercado está atento. Sempre tive uma vida jovem e, agora, aos 73 anos, sigo querendo me reinventar. Não vou me acomodar”, avisa ela, que sonha fotografar para a grife Saint Laurent.

Trio em campanha de verão 2015 da grife italiana Dolce %26 GabbanaReprodução Internet

Quem também está otimista com essa iniciativa é o estilista Ronaldo Fraga, 46. “É um alívio pensar que estamos finalmente olhando para a mulher de uma outra forma. A sensação que eu tenho é que, aqui no Brasil, a partir do momento em que a mulher completa 60 anos, ela se torna invisível para a sociedade.

A iniciativa destas grifes pode ajudar a fazer essa visão preconceituosa desaparecer”, avalia o profissional, que, em 2009, apresentou a coleção Risco de Giz, na São Paulo Fashion Week, com modelos com mais de 60 anos na passarela. “Ainda me lembro da comoção e da repercussão deste trabalho. Quando você expõe a beleza real, as pessoas não ficam indiferentes.”

Para a jornalista e consultora de moda Lu Catoira, 65, esse tipo de novidade mexe com a autoestima da mulher na terceira idade. “A sensualidade fica um pouco de lado com o passar do tempo. Ver uma mulher madura numa campanha, usando um maiô legal, uma lingerie mais elaborada, faz com que a dona de casa ganhe coragem para se cuidar mais.”

A atriz Helen Miren para L’OréalReprodução Internet

Ícone de elegância, a consultora de moda Constanza Pascolato, 75, acredita que a hipervalorização da eterna juventude no Brasil ainda levará um tempo para acabar. “Infelizmente, aqui ainda não há muita preocupação com a mulher de conteúdo. Na maioria das vezes, querem a gostosona. Isso fica claro para mim quando estou fora do país. Nos EUA, por exemplo, as pessoas olham para a mulher com mais de 70 e a acham o máximo”, avalia.

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