Ricardo Cota: 'Sangue Azul' abre mostra no Festival de Berlim

Cinema brasileiro promete esquentar o 'Festival Internacional de Berlim'

Por O Dia

O ator Daniel de Oliveira é o protagonista do filme ‘Sangue Azul’Divulgação

Berlim - O cinema brasileiro promete esquentar o Festival Internacional de Berlim, que começa hoje numa cidade sete graus abaixo de zero. Embora não haja filmes brasileiros na mostra competitiva de longas, a presença nacional será expressiva na mais importante mostra paralela, a Panorama, que reúne filmes do mundo inteiro. No ano passado, ‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’, de Daniel Ribeiro, recebeu o prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema, a Fipresci, de Melhor Filme da Panorama. Este ano, serão três concorrentes.

‘Sangue Azul’, de Lírio Ferreira, abre a Mostra hoje, numa sessão cercada de expectativas. O filme venceu a mostra Première Brasil do último Festival de Cinema do Rio e, segundo o comunicado oficial de Berlim, foi selecionado por suas “magníficas imagens de conto de fada”. Diretor de ‘Árido Movie’ e ‘Baile Perfumado’, Lírio é um dos expoentes do cinema pernambucano contemporâneo.

Sua cinematografia é marcada por uma excelência cinematográfica em que a técnica, o virtuosismo e o rigor estético são essenciais para a formatação narrativa.

‘Sangue Azul’ é o seu filme mais ambicioso, aliando um tratamento épico da natureza de Fernando de Noronha a uma trama que alia um incestuoso romance realista à inerente magia do universo das trupes circenses. Zolah (Daniel Oliveira) é o homem-bala do circo Netuno, que há muito partiu de sua ilha natal para ganhar o mundo. Em seu retorno, desperta a preocupação da mãe (Sandra Corvelino) ao demonstrar um carinho para lá de fraterno por sua bela irmã (Caroline Abras). As exuberantes imagens de Fernando de Noronha, captadas em preto e branco e colorido, são contrapostas ao dia a dia da trupe, com destaque para os números de cena usuais de um circo.

Os outros dois filmes da Panorama são ‘Ausência’, de Chico Teixeira, e ‘Que Horas Ela Volta?’, de Anna Muylaert. ‘Ausência’, cujo projeto de roteiro foi premiado em Berlim, mostra a dura vida de um jovem da periferia paulista que, a partir do sumiço do pai, se vê obrigado a cuidar do irmão menor e da mãe alcoólatra. Já ‘Que Horas Ela Volta?’, que será exibido no próximo domingo em Berlim, ganhou atrativos especiais com os prêmios de interpretação feminina recebidos por Regina Casé e Camila Mardila no recém-encerrado Festival de Sundance, nos Estados Unidos.

Há ainda filmes brasileiros na Mostra Forum (‘Brasil S/A’, de Marcelo Pedroso, e ‘Beira-Mar’, de Felipe Matzenbacher e Marcio Reolon), além de ‘Mar de Fogo’, curta de Joel Pizzini que remete ao clássico ‘Limite’, de Mario Peixoto, de 1930, e concorre ao prêmio de Melhor Curta-Metragem do Festival. Para fechar, Walter Salles Jr. exibe na Panorama ‘Dokumente’, o documentário ‘Jia Zhang-ke, Um Homem de Fenyang’, dedicado ao cineasta chinês de quem Walter tornou-se amigo e profundo admirador durante o Festival de Berlim de 1998, vencido pelo seu ‘Central do Brasil’.

A expressiva presença brasileira não decorre do acaso, é bom que se diga. Ela é resultado de um diligente trabalho que vem sendo realizado pela Ancine no sentido de promover a cinematografia brasileira sobretudo nos festivais internacionais. O departamento internacional vem realizando exibições privadas para os curadores dos principais festivais internacionais com o objetivo de divulgar e abrir espaço para os nossos filmes. Pelo que Berlim 2015 apresenta, os resultados já começam a aparecer.

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