Por karilayn.areias

Rio - Nem tudo o que reluz é ouro. Tenho que me lembrar disso sempre, pois há coisas que parecem mas não são e que, volta e meia, nos fazem acreditar que são de verdade sem serem. Meus filhos cresceram ouvindo de mim: “Lembrem sempre que se chamamos as pessoas de falsas , o nome já diz, é porque elas parecem ser algo que não são. Elas fingem ser e conseguem nos enganar.”

Bia Willcox%3A Uma picadinha de escorpião%2C uma vez ou outra%2C faz parte da vidaArte O Dia

Parece simples, né? Mas a detecção de falsidades nos meios em que convivemos pode às vezes ser missão impossível. Os produtos falsificados podem ser mais fáceis de detectar — tem sempre aquele detalhe pior de acabamento, aquela cor diferente ou uma textura qualquer que os entregam, denunciando sua origem duvidosa. Mas quando se trata de gente, nem sempre há acabamento duvidoso, textura diferente ou durabilidade menor. Pessoas falsas podem parecer incrivelmente sinceras e amigas e não há muito o que se possa fazer quanto a isso. Aceitemos que convivemos com máscaras e realidades um tanto opacas às vezes.

Se existe tecnologia para tanta coisa, por que não se cria um detector de falta de verdade? Muito se tenta evoluir no que diz respeito a isso. Existem estudos e até seriado de TV sobre a habilidade de se detectar mentiras. Fato é que, no mundo ideal, gostaríamos de não sermos enganados e de sabermos em que terreno estamos pisando. A possibilidade da mentira e da realidade oculta podem trazer insegurança e até paranoia.

Tanto é verdade que há pessoas neuróticas e obcecadas em saber senhas e passos de quem amam para ter a certeza de que não estão sendo vítimas de falsidade, mentira ou traição. Com métodos sujos ou somente boa percepção têm os que logo sacam se o outro é ‘de verdade’ ou não.

Eu não sou rápida nisso, não. A princípio, acho todo mundo verdadeiro. Na fábula em que o escorpião pede carona ao sapo pra atravessar o rio e o pica ao chegar na outra margem, eu sou sempre o sapo que acreditou no escorpião. Nunca saco o escorpião antes de atravessar o rio. Mas ser o sapo tem seu lado bom, acreditem. Na maioria das vezes, eu tropeço em pessoas sinceras e bacanas. Amigos verdadeiros — novos e velhos. Acho que é sorte. Afinal, sapo traz sorte, né? Uma picadinha de escorpião, uma vez ou outra, faz parte da vida.

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