Por karilayn.areias

Rio - Em 20 de dezembro, Madonna liberou seis faixas de seu 13º álbum de estúdio para minimizar o vazamento de gravações inacabadas de ‘Rebel heart’. Esse conjunto inicial de seis músicas — que incluiu faixas para as pistas como ‘Living for love’ (house de certeira artilharia pop no qual a diva reafirma a crença no amor) e baladas poderosas como ‘Ghostown’ (sobre um amor que desafia o fim dos tempos) — sinalizou um grande disco. Mas ‘Rebel heart’, álbum que vai ser lançado em 10 de março, peca pelo excesso. A julgar pelas 25 faixas oficiais vazadas na semana passada, o supra-sumo está concentrado nas seis faixas já conhecidas. Há, sim, joias entre as outras 19 músicas. Mas o fato é que ‘Rebel heart’ começa bem e, depois, oscila ao longo das 25 faixas da edição ‘super deluxe’.

Madonna vai lançar em março ‘Rebel heart’%2C álbum que mistura baladas e músicas para pista ao longo das 25 faixas da edição ‘super deluxe’Divulgação

Em essência, ‘Rebel heart’ é mais um álbum em que Madonna reflete sobre amor, sexo e poder, buscando a salvação num mundo em ruínas cujas regras são conhecidas e manipuladas com inegável senso de marketing pela própria Madonna. ‘Devil pray’, música de tom robótico que põe a religião no caldeirão de mitos da diva, mostra que a artista ainda sabe rezar pela cartilha da provocação.

Madonna sabe também unir seu nome a quem está ‘bombando’. O que explica a recorrente colaboração com a ‘rapper’ Nicki Minaj, convidada da autorreferente ‘Bitch, I’m Madonna’. Para se manter em evidência, vale até xingar a si própria como em ‘Unapologetic bitch’, faixa de batida ‘dancehall’ produzida por Diplo.

Há várias baladas no disco. Umas possuem arquitetura mais pop, caso de ‘Joan of Arc’. Outras, como ‘wash all over’ e ‘Heartbreak city’, soam meio épicas, sendo que a primeira — gravada com a colaboração do DJ sueco Avicci — sobressai no álbum ao lado da soturna ‘Hold tight’ e de ‘Iconic’, faixa introduzida por discurso do ex-pugilista Mike Tyson, inusitado convidado do disco.

Compradores das edições mais curtas de ‘Rebel heart’ ouvirão disco mais coeso. Já quem optar pela edição completa, com as 25 faixas, certamente terá vontade de pular algumas canções triviais como ‘Borrowed time’. Mas há temas para todos os gostos. ‘S.E.X.’ explicita seu tema-título entre sussurros. ‘Veni vidi vici’ propaga vitórias de Madonna na batida do rap de Nas. ‘Rebel heart’ é levada por violões. Já ‘Autotune baby’ é pontuada por choro de criança. O coração rebelde de Madonna bate em ritmo valente, mas desigual. O pecado é o excesso. Mas o CD mantém a rainha no trono.

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