Livro traz a memória do Carnaval carioca, na maior felicidade

Histórias e 15 sambas-enredos clássicos são recordados

Por O Dia

Rio - Nem fale em reedição de samba-enredo com o jornalista Marcelo de Mello. “É algo que pode ser até uma homenagem. Mas, se a produção das escolas estivesse empolgante de alguma forma, quantas delas fariam isso?”, pergunta ele, relembrando as histórias de 15 clássicos das escolas do Rio em ‘O Enredo do Meu Samba’ (ed. Record, 308 págs., R$ 32). E acredita que, no Carnaval, o melhor está no passado.

“Não que hoje não façam sambas bons, mas os antigos são melhores. Tanto que são os que todo mundo canta até hoje. Fui recentemente numa festa em Belo Horizonte e, quando o DJ tocou sambas-enredo, não rolou nada novo”, relembra.

A música mais recente do livro já tem mais de 20 anos: é ‘Peguei um Ita no Norte’, com o qual o Salgueiro ganhou o Carnaval de 1993, e cujo refrão abençoado (“Explode coração/na maior felicidade/é lindo o meu Salgueiro/contagiando e sacudindo essa cidade”) depois foi adotado pela torcida do Flamengo nos estádios.

Marcelo de Mello%3A último samba-enredo do livro é o campeão de 1993%2C do SalgueiroDivulgação

O primeiro do livro, ‘Aquarela Brasileira’, é o samba do Império Serrano de 1964. E ele passa ainda pelas histórias de enredos como ‘Bum Bum Paticumbum Prugurundum’ (Império Serrano, 1982) e ‘É Hoje’ (União da Ilha, mesmo ano).

Já ‘Festa Para Um Rei Negro’, samba do Salgueiro de 1971 (do refrão “pega no ganzê/pega no ganzá”) rende histórias engraçadas. “Na época, as pessoas faziam várias paródias pornográficas do refrão. Nos anos 70, isso tinha um sabor de transgressão. Hoje, não é mais tão engraçado”, conta Marcelo, que entrevistou Zuzuca, autor do samba.

“Ele lembra de tudo relativo a essa música. Deixei de falar de vários sambas porque os autores não estavam mais vivos, nem ninguém que eu pudesse entrevistar. Queria sempre trazer algo de novo ao leitor.” ‘Os Sertões’, tema de 1976 da Em Cima da Hora, causou polêmica por adotar tons graves e bastante sérios na letra. “Ele falava de uma guerra (a de Canudos) na qual morreram muitos. Não daria para falar disso de modo alegre. E muitos carros se quebraram durante o desfile. Ficou um trauma.”

A escola do coração de Marcelo, a Beija-Flor de Nilópolis, polemizou no Carnaval 2015, ao supostamente aceitar uma doação de R$ 10 milhões do ditador Teodoro Obiang, presidente da Guiné Equatorial. “É uma questão ética e até criminal. Mas o fato de eles terem ganho a competição foi justo. O desfile foi muito bonito”, avali

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