Diogo Nogueira estreia como ator de musicais no espetáculo ‘SamBra’

Montagem celebra os 100 anos do samba com homenagens a grandes nomes do gênero, de Tia Ciata a Chico Buarque

Por O Dia

Rio - Atuar, cantar, dançar e controlar as emoções. Diogo Nogueira divide-se entre essas funções em sua primeira atuação num musical, ‘SamBra’, em cartaz no Vivo Rio entre os dias 19 e 22. A peça adianta a efeméride dos 100 anos do samba (comemorados só em 2016) em mais de 70 músicas, e em referências a nomes como Donga, Tia Ciata, Paulinho da Viola, Noel Rosa, Martinho da Vila. E, claro, a seu pai João Nogueira (1941-2000). 

Diogo Nogueira (à frente) em ensaio do espetáculoAlexandre Brum / Agência O Dia


“Sempre fiz shows com cenário, dança, textos, mas é diferente. Ensaiamos há dois meses, dez horas por dia, com preparação corporal, coreografia, interpretação”, conta o cantor, que já participou do humorístico ‘Vai Que Cola’ e da novela ‘Fina Estampa’.

O DIA acompanhou um dos ensaios abertos (realizados no Oi Casa Grande) e viu que Diogo já virou cantor-ator. Prepare os lenços para a hora em que acontece a representação do enterro de um sambista e Diogo, cantando ‘O Poder da Criação’, de seu pai e de Paulo Cesar Pinheiro, recebe um violão das mãos de um músico mais velho, mostrando as dinastias no estilo. “Nesses ensaios, vi as pessoas se emocionando junto comigo também”, diz ele, que representa nomes como Francisco Alves (1898-1952) e João Gilberto no musical — cantando igualzinho a eles.

‘SamBra’ passeia por temas como a Era do Rádio, os primeiros a pagarem jabá, as vendas de sambas (fator de mobilização nos cafés da Lapa nos anos 1920 e 1930) e a chegada da Bossa Nova e do Tropicalismo. O roteiro começa na casa da Tia Ciata (agregadora de sambistas, no início do século passado) e chega à revolução dos batuques no Cacique de Ramos, incluindo praticamente todos os grandes nomes do samba como personagens. E vários clássicos na trilha sonora.

“Esse é um musical de resistência cultural”, brinca, falando sério, o roteirista e diretor Gustavo Gasparani, passista da Mangueira e ex-diretor de shows de Beth Carvalho. “Falamos de música brasileira da melhor qualidade. No rádio só dá o clichê do clichê, aquele pagode de quinta categoria. Você não tem hoje nem o Chico Buarque nem o João Nogueira no rádio.”

Além de Diogo, um trio rouba a cena. Beatriz Rabello, filha de Paulinho da Viola, interpreta de Gal Costa a Aracy Cortes ao longo da peça. Lilian Valeska, a Lia de ‘Sexo E As Negas’, solta a voz como Clara Nunes e interpreta ninguém menos que Tia Ciata. Alan Rocha emociona encarnando Martinho da Vila — ‘SamBra’ chega a promover o encontro do cantor de ‘Casa de Bamba’ com Noel Rosa (Cristiano Gualda).

“O principal da peça é a verdade. Há muita gente no elenco ligada ao samba. Inclusive, quando o Diogo ganha o violão de um sambista mais velho no musical, o instrumento vai logo parar na minha mão. No primeiro ensaio, já pensei: ‘Ah, mas esse violão tem que ficar comigo!’”, brinca Beatriz. “Nesse momento, penso logo no meu pai, no meu avô, no meu tio Raphael Rabello (violonista, 1962-1995).”

Tem quem possa sentir falta na peça de nomes como Moreira da Silva (1902-2000) e Mussum (1941-1994). “Mas eles surgem em músicas, ou com a cena da qual vieram. Amo a Alcione e ela não está lá, mas é representada com ‘Não Deixe O Samba Morrer’, que está no musical”, relata Gasparani. “Tive que fazer um recorte, imagina condensar 100 anos? Nomes mais recentes, como Xande de Pilares, também não estão lá, mas surgem na hora em que aparece a turma do Cacique de Ramos. Eles vieram daí.”

Entre os dias 26 e 29 de março, o musical vai para o Espaço das Américas, em São Paulo. E ganha, no decorrer de 2015, conteúdo multiplataforma, com livro de entrevistas e site repleto de informações sobre os 100 anos do samba. “Quando o samba vai ao teatro, fica com uma cara de ‘sambinha’. Já com a gente ele é samba mesmo, no duro!”, espeta Gasparani.

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