Bia Willcox: Preguiça do novo

Sim, mó preguiça começar um relacionamento, mesmo com todo o bom do novo. Será que se começar pelo fim melhora?

Por O Dia

Rio - Todo o mundo tem preguiça de começar. Seja uma dieta, um emprego novo, um novo endereço ou até mesmo uma série nova de TV. Mas, ao lado da preguiça, caminha a motivação, muitas vezes até maior, de inovar. Começar ou recomeçar carrega em si o desafio e a esperança.

“Dessa vez será diferente” ou “Agora minha vida vai melhorar” — a gente sempre escuta ou pensa nessas horas, quando a empolgação se sobrepõe à preguiça. Para muitos, isso vale também para os relacionamentos. Começar um novo relacionamento significa exercer seu poder de sedução e conquista, voltar a malhar (ou intensificar o tempo de academia), emagrecer, comprar nova lingerie, se cuidar mais e se sentir meio adolescente novamente.

A preguiça acaba perdendo para o desejo forte de ficar e ser feliz. Autoestima sobe, mau humor desce e as apostas num futuro afetivo melhor se materializam em diferentes formas e cores, tal qual as fichas do cassino. O novo que dá preguiça pode ser o novo que funciona como um elixir homeopático na rotina das pessoas.

Percebi que tanto os comprometidos quanto os solitários buscam a euforia do flerte, do ‘crush’ e até mesmo da paixão (até platônica) só pela possibilidade do novo! Mas infelizmente não são unanimidade. Ao menos não o tempo todo. Há sempre aquele momento de preguiça do novo (quem nunca?). Sem saco nenhum para assuntos cerimoniosos, falta de intimidade ou mesmo para aquele jogo sutil de sedução. 

“Ah, é um saco sair com quem a gente não conhece.”
“Mas se não for assim, como conhecer pessoas?”
“Preguiça de fazer jogo, de ter que ser quem não sou.”

Epa! Alguém ainda não sabe que relacionamento é jogo? Depois que você conhece os participantes dele é mais fácil jogar, mas até esse dia chegar, o jogo é cansativo porque é como se estivéssemos sempre em teste. Todas as etapas parecem hercúleas: saber qual o tom da relação, estabelecer regras e limites, perceber o desejo alheio, ligar casualmente, escolher a programação, fingir que não liga, ou fingir que liga pro que não tá nem aí. Isso pra não falar do sexo inicial sem grande intimidade.

Sim, a preguiça de começar existe. E eu entendo bem os preguiçosos de plantão. Sim, mó preguiça começar um relacionamento, mesmo com todo o bom do novo. Será que se começar pelo fim melhora?

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