Por tabata.uchoa
Publicado 19/03/2015 18:33 | Atualizado 19/03/2015 18:33

Rio - Boa parte da cinematografia do diretor David Cronenberg passa, de forma inevitável, pelo corpo humano. Conforme visto em produções como ‘A Mosca’, ‘Scanners’ e ‘Videodrome’, o realizador canadense sempre encontra uma forma de associar secreções, excreções e humores à narrativa de suas obras, o que lhes garante uma visceralidade bastante particular. No caso de ‘Mapas para as Estrelas’ não é diferente. Muito embora, neste caso específico, esse gatilho dramático apareça em uma proporção bem menor. E é aí que reside um dos grandes trunfos da produção.

Juliane Moore interpreta uma atriz decadente e obcecada pela mãeDivulgação

É curioso ver como ele utiliza uma construção de planos limpa e quase asséptica durante todo o tempo de projeção para mostrar as situações mais grotescas e abjetas dos bastidores hollywoodianos. Uma espécie de ironia visual que reforça a flexibilidade moral do mosaico de personagens que compõem a trama. Entre eles, está Havana Segrand, atriz decadente, obcecada pela mãe — também atriz, que morreu ainda muito jovem — e pela tentativa de recuperar a carreira a qualquer custo. O roteiro também se debruça sobre as relações degeneradas dos integrantes da família Weiss — o pai (John Cusack), um charlatão especializado em autoajuda, o filho Benjie (Evan Bird), um jovem ator em ascensão, soberbo, com variações de humor e propensão à violência, e Agatha (Mia Wasikowska), que volta a travar contato com os familiares depois de anos de afastamento após provocar um incêndio de forma intencional.

Lembrando as narrativas de filmes que criticavam Hollywood como ‘O Jogador’, de Robert Altman, ‘Mapas para as Estrelas’ vai mais fundo, por meio da utilização de humor negro, escatologia, incesto e uma dose intensa de ironia. Diante de certas cenas, alguns vão querer olhar para o lado. Melhor não. O resultado final mais que compensa.

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