Por karilayn.areias
Publicado 21/03/2015 20:47 | Atualizado 22/03/2015 23:22

Rio - Sete segundos. Foi o tempo que durou o beijo entre Estela e Teresa, as personagens de Nathalia Timberg e Fernanda Montenegro, na noite de estreia de ‘Babilônia’. Quase uma semana depois, a cena curtíssima continua dando o que falar. Na vida real, as mulheres que gostam de mulheres aplaudiram de pé a coragem dos autores Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga em mostrar um relacionamento cada vez mais frequente e assumido por várias celebridades.

Fernanda Montenegro e Nathália Timberg se beijam no primeiro capítulo de 'Babilônia'Reprodução

“Elas representam muitas pessoas. Os casais gays da terceira idade são de uma época em que as pessoas não se assumiam ainda, até mesmo casavam com quem não amavam, para dar uma satisfação à sociedade. O preconceito é também por elas serem senhoras. É mais difícil para as pessoas imaginarem que na terceira idade ainda existe amor e sexualidade”, diz Carlos Tufvesson, que está à frente da Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual, tem 39 anos e é casado há 20 anos com o arquiteto André Piva, de 47 anos.

A cantora Daniela Mercury, de 49 anos, saiu do armário em 2013 e casou-se com a jornalista Malu Verçosa, de 38 anos. A mulher da cantora foi outra que engrossou o coro dos que estão amando o casal. Aliás, lá, a torcida é da família toda. “Nossa filha mais velha (Marcia, de 16 anos) estava pulando na frente da TV, comemorando o beijo. Ela disse: ‘Parece vocês duas’. Mas naquela mesma tarde uma funcionária do hospital onde a gente levou a Bela (a caçula, de 5 anos), que estava doente, ouviu a menina me chamar de mãe e disse que achava que ela era filha de Daniela. Bela virou-se e disse: ‘Eu tenho duas mães’. Ela tão nova percebeu o preconceito ali. Tem gente que acha o beijo uma coisa provocativa, mas não é. É uma explosão de liberdade, é sair da escuridão”, afirma.

Daniela Mercury e sua mulher%2C a jornalista Malu VerçosaFernando Souza / Agência O Dia

Fernanda Montenegro encara a cena com naturalidade. “Estela e Teresa estão juntas há muito tempo. Têm uma relação sólida e feliz. É absolutamente normal que existam demonstrações de carinho. Comum a qualquer casal. Mas a trama delas vai para além de um ou mais beijos, vai discutir as diferenças, o amor e o respeito”, opina a atriz.

A representatividade na novela já rendeu frutos: um dia depois da exibição, foram registrados dois pedidos de casamento entre mulheres de 50 a 70 anos no Rio de Janeiro. Outro exemplo é o da assistente social Patrícia Gomes, de 40 anos, que planeja se casar com sua companheira, a médica Régia Ferreira, de 35. Elas estão juntas há 20 anos e têm uma filha de 3, fruto de uma inseminação artificial. “Chorei, foi a coisa mais linda do planeta, me senti contemplada com aquela cena”, conta Patrícia. Ela acha que o beijo é um passo importante para ajudar no processo de tornar as relações homoafetivas mais aceitas socialmente. “Hoje, pra mim, é bem mais tranquilo. Apesar da homofobia, começamos a mostrar a cara...saímos do armário, estar na TV dá visibilidade e fortalece a luta por igualdade, que não é fácil”, diz.

Recentemente, foi a vez de Monique Evans engatar um romance homoafetivo com a DJ Cacá Werneck. “Com seu companheirismo, você acabou com a minha solidão. Me mostrou o caminho pra voltar a ser feliz. Nunca mais me senti sozinha! Minha amiga, companheira. Meu amor!”, escreveu a apresentadora, de 58 anos, em seu Instagram.

Para a sexóloga e colunista do DIA Regina Navarro, a saída do armário em uma idade madura é uma tendência que tem a ver com novos padrões de comportamento sexual. “Estamos em um processo de uma profunda mudança da mentalidade. Cada vez mais, se quer viver bem com seus desejos e a questão da bissexualidade se torna mais comum por isso. As pessoas tendem a escolher seus parceiros amorosos considerando as afinidades e não por serem homens ou mulheres. Há 20, 30 anos não existia tanta coragem e liberdade para se relacionar com pessoas do mesmo sexo”, afirma.

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