Luis Pimentel: O Rio de A a Z - 5

A moça do corpo dourado do sol de Ipanema brinda cariocas de várias gerações há mais de meio século, com o seu doce balanço a caminho do mar

Por O Dia

Rio - Retomando a série de verbetes afetivos sobre o Rio de Janeiro, hoje com as letras G e H:

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Garrincha — Manuel Francisco dos Santos, o internacional Mané Garrincha, nasceu na cidade de Pau Grande, estado do Rio de Janeiro (1933­1983). Mas foi com a camisa carioca do Botafogo que conquistou milhões de corações e fez o bom e velho Maracanã tremer e delirar em tantas tardes gloriosas. Jogou três Copas do Mundo, ganhando duas. Conquistou inúmeros títulos estaduais com a camisa alvinegra do Botafogo, vestiu a camisa rubro­negra do Flamengo no final da carreira, em jogos de exibição, e se perdeu no campo da vida quando a bola deixou de correr à sua frente. Carregou até o fim dos dias a fama de reprodutor indomável. E teve 13 filhos, com três mulheres diferentes (uma delas, a cantora Elza Soares). Triste, solitário, infeliz e quase sempre embriagado, viveu seus últimos anos entre consultórios médicos, clínicas de desintoxicação e até hospitais psiquiátricos. O fígado e o coração resistiram até o dia 20 de janeiro de 1983. Tinha 49 anos de idade.

Garota de Ipanema — A moça do corpo dourado do sol de Ipanema brinda cariocas de várias gerações há mais de meio século, com o seu doce balanço a caminho do mar. Composta em 1962, a canção da dupla Tom Jobim e Vinicius de Moraes levou o charme carioca e a música do Brasil a correr mundo, revelando dois grandes compositores, a bossa nova e a sensualidade. É, ainda hoje, uma das músicas brasileiras mais conhecidas no mundo, que quanto mais velha parece que fica mais gostosa de se ouvir.

Globo (o biscoito) — Me apresente um carioca dizendo que jamais provou, em qualquer praia, o Biscoito Globo, e eu direi que ele está faltando com a verdade (sim, porque carioca não mente; oculta, omite, falta com a verdade, essas sutilezas). Feito de polvilho, água e nada mais, o biscoitinho que se esmigalha na boca sem precisar sequer ser mastigado é vedete das praias do Rio desde sempre, especialmente quando na companhia de um mate geladinho ou do refresco de limão (mas com cerveja gelada também é bom).

Hermínio Bello de Carvalho — De Cartola ou Jacob do Bandolim, até representantes da novíssima geração de compositores, esse sujeito do bem, que está festejando os seus 80 anos, colecionou parcerias invejáveis na MPB — Paulinho da Viola, Maurício Tapajós, Chico Buarque... — e escreveu letras que estão definitivamente na galeria das mais inspiradas do nosso cancioneiro. Poeta de fina estampa e produtor generoso, responsável por descobertas de talentos e criação de roteiros marcantes (‘Rosa de Ouro’ e ‘O Samba é Minha Nobreza’ estão entre eles), o Bello Hermínio tem sorriso de criança, cabelos de anjo barroco e um olhar de eterna calmaria para os agitos desse Rio de Janeiro que ele conhece como a palma da mão de artesão.

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