Por nicolas.satriano

Rio - Na década de 1990, a discografia de Paulinho da Viola foi relançada em CD com toda pompa. Mas a remasterização dos discos, embora feita com apuro no estúdio inglês Abbey Road, deixou a impressão de que algo se perdera no confronto com o som dos LPs originais.

Por essa razão, o lançamento da caixa ‘Ruas que sonhei’ (Universal Music) — com novas reedições dos discos da fase mais produtiva da obra do artista carioca — merece festa. Desta vez, tudo está no seu lugar. A remasterização é perfeita e preserva as frequências do som dos álbuns originais. A arte gráfica original também foi mantida nas embalagens em ‘digipack’.

Paulinho da Viola lança ‘Ruas que sonhei’%2C caixa que traz reedições de dez álbuns feitos na extinta Odeon e coletânea de gravações avulsasLila Ribeiro / Divulgação Universal Music

Produzida com curadoria do jornalista Vagner Fernandes, a caixa ‘Ruas que sonhei’ embala reedições dos dez álbuns lançados por Paulinho ao longo dos anos 1970 pela extinta gravadora Odeon. Embora exclua o primeiro álbum solo do artista, lançado em 1968 pela mesma Odeon, a caixa apresenta o supra-sumo da obra de Paulinho. São os discos no qual o compositor refinou sua abordagem do samba e do choro, ritmos tratados com nobreza e modernidade atemporal.

Títulos como ‘Paulinho da Viola’ (1970), ‘A dança da solidão’ (1972) e ‘Nervos de aço’ (1973) continuam emblemáticos. São discos que nunca envelhecem, talvez por estarem calcados nas tradições imortais do samba. De todo modo, temas como o choro jazzístico ‘Roendo as unhas’ (1973) já deram eventuais sinais de que, se quiser, Paulinho trilha caminhos menos ortodoxos pelas ruas oníricas do choro e do samba.

Há 19 anos sem lançar álbum de inéditas, Paulinho chegou a lançar dois discos em 1971 e dois em 1976. Sem falar nas gravações avulsas. Algumas, como a do samba ‘Pecado capital’, estão reunidas na coletânea de raridades que completa essa caixa de formato e música nobres.

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