Diretor de ‘Amor à Primeira Briga’ fala sobre longa premiado

Filme francês aborda início da vida adulta

Por O Dia

O diretor Thomas Cailley esteve no Rio para divulgar o filmeDivulgação

Rio - Jovens são tomados por certezas e dúvidas em iguais proporções — sobretudo quando estão em busca de seu lugar no mundo. O diretor francês Thomas Cailley sabe disso, como pode ser comprovado no seu longa de estreia, ‘Amor à Primeira Briga’, tradução infeliz de ‘Les Combattants’ — ‘Os Combatentes’, nome bem mais apropriado à trama da produção. O jovem cineasta e roteirista esteve no Rio de Janeiro para divulgar o filme, que vai estrear em São Paulo hoje e chegará aos cinemas cariocas na próxima quinta-feira.

“Eu queria contar uma história sobre elementos que compõem o início da vida adulta. Sabemos que, nos anos de adolescência, há várias questões relacionadas à identidade, ao início da vida sexual e aos problemas familiares. Já existem muitos filmes que tratam dessa fase, mas poucos sobre as pessoas que estão com 20 e poucos anos. Desejava explorar de que maneira elas lidam com a vida, como escolhem os seus lugares no mundo — o que farão, com o que irão trabalhar. São questionamentos imensos, porque podem levar a escolhas definitivas”, explicou o diretor, durante uma entrevista no Consulado da França no Rio.

‘Amor à Primeira Briga’ trata da relação que se estabelece entre Arnaud (Kevin Azaïs) e Madeleine (Adèle Henel), ambos no início dos 20 anos. Ele trabalha na empresa familiar que constrói cabanas de madeira, é tranquilo e não parece ter maiores preocupações. Ela é agressiva, rude e sente uma necessidade incontrolável de estar preparada para a chegada de um possível futuro opressivo — por conta disso, pretende se alistar em um dos batalhões mais rígidos do Exército francês. Apaixonado pela jovem, Arnaud decide segui-la na empreitada — é a partir daí que a trama se desenvolve de forma mais intensa.

O filme, cujo roteiro levou três anos para ser concluído, surpreendeu a crítica internacional por conseguir um feito inédito: foi a primeira produção a conquistar os três principais prêmios da Quinzena dos Realizadores — Prix Europa Label Cinema, Art Cinema Award e Prix SACD — do Festival de Cannes.

“Foi surpreendente. É claro, fiquei muito feliz com esse reconhecimento. Sobretudo porque, apesar de tratar de uma história do envolvimento entre dois jovens, o filme não é previsível, já que passa muito longe da fórmula adotada por comédias românticas, que são muito comuns nos cinemas em todo o mundo. O que é até natural, uma vez que vi muito poucas produções desse gênero”, concluiu Cailley.

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