Seu Jorge fala sobre motoboys, meninas feias e garotas bipolares em novo disco

Cantor se prepara para montar um bar de cerveja no Rio

Por O Dia

Rio - Eles são rápidos, ligeiros e, dependendo da cidade onde moram, podem “fazer o corre” e serem “da hora”. Morador de São Paulo por muitos anos — e vivendo hoje em Los Angeles —, Seu Jorge homenageia os motoboys em seu novo disco, ‘Músicas para Churrasco II’, na canção ‘Motoboy’. O DIA foi mostrar a faixa para os entregadores da empresa Zoaa, uma das várias que batalham nas pistas aqui no Rio. Eles curtiram a letra, mas estranharam algumas coisas.

'Eu só não namorei meninas feias porque quando eu era novo%2C era bem mais feio que qualquer mulher que eu quisesse namorar'Divulgação



“‘Vida louca’, ‘faz o corre’... Essas expressões que ele usou na letra eu não conheço, não. Devem ser lá de São Paulo”, diz o motoboy Augusto dos Santos, ao lado dos amigos Aquiles Guimarães, Leandro de Oliveira e Alexandre do Espírito Santo, todos fãs do cantor “desde a época do Farofa Carioca”. Augusto sugere uma tradução mais carioca para a música. “Aqui, a gente usa ‘porra louca’, quando o cara é muito doido no trânsito. Expressões nossas que são populares aqui no Rio também são ‘tô na pista’, que é quando estamos na correria. Mas tem essa frase ‘se pegar pra um, pegou pra geral’, que tem a ver com o fato de a classe ser muito unida mesmo”.

Aquiles sentiu falta de uma situação bem comum ao trabalho da turma. “Pô, faltou falar da chuva. Podia colocar um verso assim: ‘Motoboy não tem nada igual/Faça chuva ou faça sol’. Porque é o maior perrengue para a gente quando chove. Tem que ter o maior cuidado com o documento do cliente, que não quer nem saber. Ele quer é o documento dele intacto”.

Seu Jorge diz que costuma ser bastante abordado por entregadores no trânsito. “Eles falam: ‘Pô, mano, tu é ‘memo’ o Seu Jorge? Pô, tu é merecedor, mano’”, brinca.

‘Músicas para Churrasco II’ ainda convida mais personagens — alguns deles já naturalmente polêmicos, como o rapaz que namora uma menina nada bela em ‘Mina Feia’ e a garota bipolar de ‘Ela É Bipolar’. “‘Mina Feia’ é um complemento àquele verso “se fosse mulher feia tava tudo certo’ de ‘Amiga da Minha Mulher’. É uma brincadeira”, diz o cantor. “Todo mundo tem sua beleza. Eu só não namorei meninas feias porque quando eu era novo, era bem mais feio que qualquer mulher que eu quisesse namorar. Depois a gente vai mudando”, brinca.

Já ‘Ela É Bipolar’ explica na letra que fala de “um transtorno mental maníaco-depressivo que causa muita infelicidade aos portadores dessa enfermidade”. “Tem brincadeira, mas todo mundo pode se identificar, até quem só tem alterações de humor. E adoraria que quem tem bipolaridade ouvisse a música.”

Em Los Angeles, Seu Jorge leva vida de superstar: vai a festas, fez amizade com gente famosa como Anthony Kiedis, cantor dos Red Hot Chili Peppers (“ele largou aquela coisa de drogas, tá superzen”, diz) e anda de limusine. “Uma vez, peguei uma para tomar cerveja com meus músicos depois do show e acredita que eles quiseram ficar no hotel? Na hora me deu vontade de que a turma do Gogó da Ema (comunidade onde ele foi criado) estivesse ali comigo”. Continua na expectativa do lançamento de ‘Pelé’, filme americano sobre o craque, dirigido pelos irmãos Michael e Jeff Zimbalist — no qual vai interpretar o pai de Pelé, Seu Dondinho. “E adoraria fazer um filme de ficção científica. E um com o (diretor americano) Quentin Tarantino. Gosto muito dele”, diz.

Seu Jorge também vem constantemente ao Brasil para cuidar de seu mais novo empreendimento: o bar (e marca de cerveja) Karavelle, que montou no Jardim Paulista com mais dois sócios — ele quer trazer para o Rio o mais rápido possível.

“Quero é montar uma filial em Ipanema. Ando conversando com o pessoal do Canastra Bar sobre isso. E vai rolar uma no subúrbio. Meu sonho é encher o Clube Renascença (no Andaraí) de cerveja Karavelle”.

ELES SÃO ‘DA HORA’

MOTOBOY
(Seu Jorge/Pretinho da Serrinha/Rogê/Gabriel Moura)

O motoboy é da hora
Faz o corre, entrega tudo
Na maior agilidade

Ele não deixa furo
Ele não dá mole
Ele cruza a cidade

O motoboy é zica
Leva sua vida louca
Dentro do baú

No seu capacete
Tem um GPS
Vai de norte a sul

Ele vem voando
Passa buzinando
Pelo corredor

Coração marcado
Bate acelerado
Por um grande amor

Ele é o rei da pista
Na comunidade
Ele é fundamental

Ele é solidário
Se pegar pra um
Pega pra geral

Liga, liga, liga, liga...
Liga, liga, liga ele...

Você pode confiar
Pode o trânsito parar
Pode o mundo acabar
Que a encomenda vai chegar

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