Mauro Ferreira: Ana Carolina deve priorizar repertório alheio em futuros álbuns

No disco '#AC Ao vivo', a cantora brilha mais do que a compositora

Por O Dia

Rio - As músicas de ‘#AC’, show de Ana Carolina, são quase todas de autoria da própria artista mineira. Sintomaticamente, o momento mais memorável do show foi a interpretação de uma das poucas músicas de lavra alheia, ‘Coração selvagem’, sucesso do sumido cantor e compositor cearense Belchior em 1977. A edição do CD ‘#AC ao vivo’ reitera a impressão de que Ana deveria focar sua discografia mais no ofício de intérprete, já que sua obra autoral tem dados sinais de repetição. 

Ana Carolina canta música do sumido Belchior%2C ‘Coração selvagem’%2C no CD ao vivo que registra seu show ‘%23AC’%2C de irregular repertório autoralDivulgação


Eternizada no CD em tom ligeiramente mais suave do que o das interpretações dos primeiros shows da turnê, que voltará ao Rio em maio, ‘Coração selvagem’ continua sendo trunfo de ‘#AC’. É grande música, passional como o canto de Ana Carolina.

Cantora de voz potente e viçosa, Ana também revive, entre as faixas-bônus do CD, sucesso do compositor carioca Gonzaguinha (1945-1991), ‘Sangrando’ (1980), canção ausente do roteiro do show, mas revivida por Ana no ‘remake’ do programa ‘Globo de ouro’ pelo Canal Viva. Trata-se de outra música moldada para intérpretes que ardem nas fogueiras das paixões. De todo modo, Ana Carolina tem sabido transitar ultimamente pela trilha da paixão sem cair no exagero. Basta ouvir sua interpretação ao vivo de ‘Eu sei que vou te amar’ (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959) para atestar a habilidade da cantora de soar calorosa sem carregar nas tintas.

Outro bônus do CD duplo é ‘Coisas’, versão em português de ‘Cose’, escrita pela própria Ana em 2012 para edição brasileira de CD do cantor italiano Sal da Vinci.

A julgar pela audição do CD, captado em show feito em São Paulo em outubro de 2014, a gravação ao vivo do show ‘#AC’ reproduz o calor de espetáculo movido a sexo, com altas doses de eletrônica. Tal eletrônica, aliás, arranha a seminal ‘Garganta’ (Totonho Villeroy, 1999), primeiro hit da cantora.

‘Medley’ com baladas antigas como ‘Nua’ (Ana e Vitor Ramil, 2003) e ‘Pra rua me levar’ (Ana e Totonho Villeroy, 2001) dá saudade dos primeiros e melhores CDs da cantora. Mas a balada já é outra... ‘#AC ao vivo’ repõe Ana Carolina numa pista que enfatiza a irregularidade de sua obra.

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