Por tabata.uchoa

Rio - Essa semana circulou um vídeo em que Jean Wyllys troca de lugar no avião para não ter que ficar ao lado do Bolsonaro durante o voo. Quando assisti ao vídeo gravado em modo selfie pelo próprio Bolsonaro, imediatamente me lembrei daqueles bullyings (nem esse nome tinha antigamente) colegiais com um quê ingênuo e ao mesmo tempo carregando a crueldade cristalina do adolescente provocador. Vi nitidamente o implicante e o “implicado” que faz parte de um time que sempre existiu — os mais sensíveis e por isso mais implicáveis também.

Tudo perde o sentido e o peso real quando se está dentro de um avião no arAgência O Dia

Se o Jean não tivesse levantado... Ah, se ele tivesse ficado no assento inicial... Os papéis se inverteriam e de implicado passaria a implicante, para meu gáudio (levando-se em conta quem passaria a ser o implicado, claro). Mais do que implicância, bullying ou ódio, o evento da troca de assentos me fez pensar em algo um tanto maior: Há ódios e diferenças que sobrevivam a 35.000 pés?

A recente queda do Airbus da Germanwings nos Alpes Franceses me fez crer que não há garantias o suficiente de que possamos selar quaisquer acordos de guerra, paz, amor ou ódio. Tudo perde o sentido e o peso real quando se está dentro de um avião no ar.

Um voo deve ser como um território neutro, uma espécie de embaixada onde ódios e diferenças ideológicas tenham suas horas de cessar-fogo, de trégua. Nele somos todos iguais, frágeis, e vítimas de uma probabilidade de acaso desfavorável. Lá no alto somos todos parecidos, esperando e torcendo para pousarmos a salvo.

Quando o avião pousar e soltarmos o cinto de segurança, aí ganhamos a força de estarmos em terra e nos posicionarmos em nossas trincheiras. E pode ter certeza de que a “heterofobia” do Jean terá o apoio de muitos de nós na hora em que o avião pousar. Afinal, na vida, aqui embaixo, de doido a gente quer distância, né? PS: Eu não tenho medo de avião.

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