Por daniela.lima

Rio - Durante muito tempo, os integrantes da banda Start tiveram que aguentar zoações dos amigos: “Perguntavam se eu estava fazendo parte daquela banda dos meninos de calça colorida”, conta Stephan Peixoto, um dos integrantes do grupo de rap e também conhecido por ser filho de Marcelo D2. “Hoje não rola mais, mas era sempre engraçado”. 

Conhecido como Stephan%2C ele agora tem o nome artístico SainDivulgação


Coincidentemente, a banda “colorida” Restart anunciou seu fim ao mesmo tempo em que o Start estreou em disco, com o recém-lançado ‘Fruto do Jogo’. “Esses neguinhos vão dar trabalho”, profetiza o pai coruja D2.

Os rappers Faruk e Shock completam o trio. Stephan, que despontou em um dueto com o pai na música ‘Loadeando’ (aquela, do refrão ‘Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho...’, do disco ‘A Procura da Batida Perfeita’, que D2 lançou em 2003), agora assina com novo nome artístico, Sain. “Ganhei esse nome quando era criança e andava de skate no Catete, onde fui criado. Foi coisa dos meus amigos”, explica Stephan, ou melhor, Sain. “Hoje em dia, meu pai é meu maior parceiro, trocamos muitas ideias sobre música. Ele me dá muitas dicas e, agora, nesse novo CD, ele ajudou bastante”.

Marcelo D2 escreveu o texto de divulgação do Start e segue rasgando-se em elogios ao trabalho do herdeiro: “Acompanho esses três desde o começo e vi os garotos crescendo e amadurecendo. Esse disco marca a nova fase do rap carioca”, decreta D2.

Formado há nove anos, logo depois que Sain, Faruk e Shock se conheceram nas ruas, em rodas de rimas, o Start demorou para lançar seu primeiro CD. Mas, depois de dois EPs, uma mixtape e alguns milhões de views em clipes no YouTube, vem se destacando na nova cena do rap. “O jeito de se fazer rap no Rio não está mudando, os temas abordados são os mesmos porque o sistema continua o mesmo”, avalia Sain — D2 ressalta que “as letras do disco nos levam a um Rio de Janeiro atual, do tiro, porrada e bomba, do funk carioca à garota (não só de Ipanema) que vem e que passa”.

“Hoje, tem mais espaços e mais maneiras de divulgar seu trabalho do que quando começamos”, compara Sain. “Os caminhos estão mais abertos com o acesso direto à internet. Está muito mais fácil divulgar novas músicas. Nós tivemos que descobrir tudo isso, dar um jeito de botar nossa música na rua. Era bem mais difícil. Quem faz um trabalho bem feito sempre se destaca.”

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