Por daniela.lima
'O programa ‘Jovem Guarda’ tinha foco maior do que a passarela da Fashion Week’%2C WanderléaHippertt

Rio - Você também pode ser fã da Jovem Guarda. Seja qual for sua idade, não importa: as canções algo ingênuas, algo raivosas, cheias de rimas de “assim” com “mim” e muita doçura nas letras ainda atraem ouvintes. E o movimento chega aos 50 anos, comemorando duplamente o álbum ‘Jovem Guarda’, de Roberto Carlos, e o programa homônimo, dos áureos tempos da Rede Record.

“Vi isso na turnê dos meus 50 anos de carreira: o público não me deixava sair sem cantar as músicas daquela época!”, emociona-se a ternurinha Wanderléa, do triunvirato formado também por Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

A cantora de ‘Prova de Fogo’ (uma composição de Erasmo, por sinal) se prepara para colocar nas livrarias sua visão não apenas do movimento, como de sua carreira. Já enviou à editora Record os originais de sua autobiografia, ainda sem título. “Seria ‘Soltando os Laços’, depois mudei para ‘Karma e Glória’, mas não escolhi o definitivo. Vamos agilizar para sair ainda esse ano”, promete ela.

A publicação, registre-se, já foi devidamente autorizada por Roberto Carlos. O próprio Rei está preparando sua biografia. Que, a julgar por sua fotobiografia, ‘Roberto Carlos’, lançada após sete anos esperando sua aprovação, não deve sair tão cedo. Seja como for, o Rei já decretou que no livro a Jovem Guarda terá um espaço especial. “Foi a coisa mais importante da minha vida! Do que tenho lembrado para a minha biografia, a Jovem Guarda é o que mais me emocionou até agora”, entusiasma-se Roberto, aproveitando para desconstruir certos mitos em relação à antiga turma.

“A história de que a Jovem Guarda começou no Bar Divino, na Tijuca, não é bem assim. Só entrei lá uma vez. Íamos mais no botequim em frente, que era mais barato. No Divino havia muitas meninas bacanas, por isso a gente ficava ali na frente tirando onda.”

Garantido mesmo, o que vai coincidir com o ano das cinco décadas, é o novo DVD de Erasmo Carlos, ‘Meus Lados B’, registro de show em janeiro no Tom Jazz, em São Paulo, programado para sair em junho por sua gravadora, Coqueiro Verde. Apesar de focar em sua fase pós-Jovem Guarda, o projeto também passeia por canções menos conhecidas do período inicial da carreira.

“Fico muito lisonjeado de as pessoas gostarem de relembrar as músicas que eu fiz quando era ainda um adolescente”, orgulha-se o Tremendão, que até hoje reserva um cantinho para os clássicos do período em shows. Atração do Rock in Rio em setembro, ele decreta que a relação da Jovem Guarda com o festival vem de antes: “Sem Elvis Presley não haveria nem Jovem Guarda, nem Rock in Rio!”

Wanderléa lembra que as inovações do movimento mudaram o mercado da música no Brasil, naquele tempo em que ser jovem era uma brasa, mora? “Um domingo do programa ‘Jovem Guarda’ tinha um foco maior do que a passarela da Fashion Week! O Brasil estava ávido para saber o que a gente ia usar, para mandar fazer igual! De repente estava lá a costureirinha do interior fazendo roupa igual à nossa, ou a menina imitando nossos passos de dança em frente ao espelho.”  

Triunvirato ao lado%3A Roberto (E)%2C Wanderléa e Erasmo eram os notáveis da Jovem GuardaReprodução


Livro ‘Jovem Guarda em Ritmo de Aventura’ volta turbinado 

Criador do portal jovemguarda.com.br (repleto de entrevistas e discografias completas), o pesquisador musical Marcelo Froes prepara sua comemoração particular para a data. Relança em breve pela editora da qual é sócio, a Sonora, uma versão turbinada de seu livro ‘Jovem Guarda em Ritmo de Aventura’, que saiu originalmente em 2000. 

Mais: seu selo Discobertas também irá reeditar uma série de grupos do período. “Estou caçando discos obscuros com a ajuda do Bacalhau (ex-baterista do Autoramas). Encontrei bandas como o The Killers, que era um grupo de Laranjeiras, lançado lá por 1967”, revela Froes.

O pesquisador acaba de repor nas lojas álbuns de um astro do finalzinho da Jovem Guarda, o paulistano Antonio Marcos (1945- 1992). Cantor romântico que emplacou canções como ‘Tenho Um Amor Maior Que o Seu’ e ‘Como Vai Você’, ele tem oito LPs originais reeditados em duas caixas.

“A obra dele, há anos fora de catálogo, sobreviveu. Ele tem muitos fãs, gente que cria grupos na internet, posta fotos e reportagens antigas”, conta Froes, lembrando que, em se tratando de Jovem Guarda, há todo um universo a ser explorado. “Muita gente acha que ela acabou em 1968, uma ruptura como o fim dos Beatles. Mas tem a pós-Jovem Guarda que, além do Erasmo, tem até Raul Seixas e Odair José. Todo mundo queria ser jovemguardista. ‘Coração Vagabundo’, do Caetano Veloso, foi composta visando o movimento e foi barrada”. Wanderléa contextualiza: “Introduzimos as guitarras e passamos o bastão para os nossos amigos tropicalistas”.

Mario Marcos, irmão de Antonio e compositor, comemora os CDs. “Fui comprar uma coletânea dele há uns meses e não achei nas lojas. Espero que saiam mais coisas, há muito por ser relançado”, diz o coautor de muitos sucessos com Antonio, inclusive ‘Como Vai Você’.

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