Por daniela.lima
Léo Maia%3A músicas próprias e canções paternas no showVilly Ribeiro / Divulgação

Rio - ‘Meu pai sempre foi do amor. Não tinha essa cara de raiva que mostraram na TV”, reclama Léo Maia, citando ‘Tim Maia’, cinebiografia de seu pai dirigida por Mauro Lima, exibida com pequenas modificações pela Rede Globo. O garoto que “veio pra Seroma para tocar/seu violão”, cantado por Tim em ‘Marcio Leonardo e Telmo’, homenageia o pai continuando a série ‘Os Filhos dos Caras’ hoje no Teatro Rival.

Misturando dinastias diferentes da música negra nativa, os shows do projeto começaram com os filhos de Jair Rodrigues (Jair Oliveira e Luciana Mello) na semana passada e prosseguem na sequência com apresentações de Wilson Simoninha (amanhã) e Max de Castro (sábado), filhos de Wilson Simonal. Todos mesclando material próprio com referências paternas.Léo inclui ainda músicas do próximo disco, a ser lançado até julho.

“E além do meu material, tem quatro músicas do meu pai. A juventude não sabe quem foi Tim Maia. O filme é feio, grotesco, maledicente. Meu pai era um ‘brother’, um parceiro, um cara bom. Ele não merecia isso”, reclama. “Na hora de retratar minha família, trocaram tudo. Minha avó era branca e botaram uma atriz negra. Meu avô era negro e alto, puseram um branco baixinho. Cadê o Hyldon e o Paulinho Guitarra, que tocaram com ele? Eu e meu irmão (Carmelo Maia) temos opiniões divergentes.”

Por e-mail, Mauro Lima, diretor do filme, responde que “essa é uma reação clássica no caso de filmes biográficos de personalidades dessa grandeza. O cinema de ficção pede uma narrativa que a vida real quase nunca é capaz de fornecer. São caminhos a se decidir”.

Léo lembra de ter crescido entre os instrumentos da banda Vitória Régia, comandada pelo pai. “Era o mascote. Aprendi a montar equipamentos, a afinar instrumentos.” Mesmo sendo filho de um dos maiores personagens pop do Brasil, ele afirma que conseguiu espaço por seu próprio esforço. “O Roberto Menescal me deu a primeira oportunidade. E fui faz-tudo do estúdio do Lulu Santos, para gravar de madrugada.”

Morto em 2000 (e amigo de Tim), Wilson Simonal retorna, nas figuras dos filhos Simoninha e Max, na programação do projeto durante o fim de semana. “Devo tocar alguma coisa do ‘Baile do Simonal’ (espetáculo que revisita sua obra), além do meu repertório”, conta Simoninha. Ele começou carreira numa época em que seu pai era menos lembrado como um grande cantor do que pelas acusações de ter delatado pessoas durante o regime militar. “Talvez eu até tenha sofrido preconceito, e eu sabia que pagaria por isso. Mas é como diz o Marcelo D2: nada pode me parar.”

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