Filmes feitos em família estão no mesmo festival

Além de firmarem parceria de trabalho, José Joffily e a filha, Isabel Joffily, concorrem como diretores em diferentes categorias do ‘É Tudo Verdade’

Por O Dia

Rio - Família unida jamais será vencida. Pelo menos essa é a expectativa de Isabel e José Joffily para a noite de hoje, quando acontece a premiação do ‘É Tudo Verdade’. O filme dele, ‘Caminho de Volta’, concorre a melhor longa-metragem do festival internacional de documentários. Já o filme dela, ‘Retrato de Carmem D.’, está entre os curtas competidores. Mas a parceria não se limita a pai e filha. Marido, amigo, filho de amigo, mãe de amigo, sogra, avó, tio e cunhado acabaram entrando nessa história, que só deixou de fora o cachorro e o papagaio.

Isabel queria fazer um filme sobre a psiquiatra Carmem Dametto. Seu pai, José Joffily, e seu marido, Pedro Rossi, planejavam filmar brasileiros fora do país. Ela ficou de produzir o longa deles, ‘Caminho de Volta’. A troca foi espontânea: Joffily produziria o curta dela, enquanto Rossi assinaria a direção de fotografia. O que o trio não sabia é que o resultado das duas empreitadas espelharia os laços da equipe: seriam histórias sobre famílias.

Uma família de cinema na competição do É Tudo Verdade%3A Pedro Rossi e a mulher%2C Isabel Jofilly%2C ao lado do pai dela%2C o cineasta José JoffilyFernando Souza / Agência O Dia

“Os filmes sempre têm a cara das pessoas que os fazem”, define Joffily. “As coisas foram acontecendo conforme as casualidades. Na verdade, documentários são feitos assim: você pensa em uma coisa, mas acaba saindo outra”, diz ele que, na procura por personagens desconhecidos, acabou mudando os planos para filmar a própria sogra, Maria do Socorro Monteiro, de 87 anos, e o filho de um amigo de longa data, o fotógrafo André Câmara, de 45 anos.

“Foi tudo uma supercoincidência. Tive um enfarte, fui para o hospital e descobri que a minha sogra ia voltar para o Brasil depois de 24 anos morando em Nova York”, conta o cineasta. Mesmo internado, ele não pensou duas vezes e disse para o o codiretor e genro, Pedro Rossi: “Vai mesmo assim e filma.”
“A luta de todo documentarista é encontrar personagens. Depois de muito procurar, em Londres, marquei com o filho de um amigo, o André. Ele me ajudaria a encontrar alguém por lá. Conversamos, viramos amigos e, lá pelas tantas, fui na casa dele e descobri que o André que era o meu personagem”, conta Jofilly.

Pelas câmeras dele e de Pedro, o público descobre o drama de Maria do Socorro:deixar o filho Fernando sozinho em Nova York e voltar para um país muito diferente do que deixou há décadas atrás. Em Londres, André vive um impasse parecido. Se voltar, terá que se afastar dos três filhos mais velhos, nascidos lá.
“Fazer esse tipo de filme só é possível com muita intimidade — tanto por parte da equipe como dos personagens. Acho que não conseguiríamos essa proximidade e entrega com pessoas desconhecidas”, analisa Pedro, que não teve dificuldades para conquistar a confiança das pessoas que filmou.

A mesma coisa aconteceu com sua mulher, Isabel, que já conhecia bem quem iria retratar em seu curta. “Frequento a casa da Carmem desde a adolescência. A filha dela, a Marcela, é uma grande amiga”, diz a diretora. Por isso, o resultado final do filme acaba mostrando também a relação da psicanalista com a filha e a casa em que moram.

“Os dois filmes foram feitos ao mesmo tempo. Foi um desafio. Eu estava trabalhando com outras pessoas e fiquei grávida. Quando minha filha nasceu, há dois anos, o horário de ninguém batia com o meu. A única forma que encontrei para viabilizar o filme foi contar com a família”, lembra-se Isabel.

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