Vale tudo: Festas inovam com lugares inusitados e atividades não convencionais

Bebidas servidas no corpo, concurso de shortinho, fantasias temáticas: as festas vão além do som para atrair o público

Por O Dia

Rio - Nada de ir para a night fazer carão. Nas festas desta reportagem, as regras de boas maneiras são: dançar, extravasar, pirar, perder a linha, se montar ou até tirar a roupa, como preferir. Com o boom de novos eventos pipocando a cada semana na cidade, produtores e DJs investem cada vez mais em ideias originais, do som ao dress code, com direito a vários joguinhos alcoólicos: vale tudo para agradar a um público cada vez mais exigente.

Todo mundo faz o passinho ao som de ‘Ragatanga’%2C do Rouge%2C na festa ‘Bagaceira’ Divulgação / Bagaceira

Foi assim, na busca pelo inusitado, que nasceu a Outside Party, festa que rola fora de boates e lugares fechados. A última edição, no começo do mês, aconteceu em um barco e contou com uma competição de banana boat à fantasia, além de um fly board. “A gente procura o diferente, de preferência aquilo que ninguém nunca tenha feito no mundo”, diz Julha Gameiro, de 24 anos, do coletivo I Hate Flash, responsável pela festa. Com um público médio de 300 pessoas, a festa tem ingresso a R$ 80 (com open bar). “Já tivemos uma edição com a proposta de salto ornamental, outra com queimado à fantasia. O importante é sempre pensar em algo completamente maluco”, conta ela.

Já a Manie Dansante investe em uma experiência musical única para seu público. “Misturamos sons dos anos 20 aos 50 com eletro swing e new jazz, o som é diferente de tudo o que tem no Rio. Também trazemos sempre outros artistas além dos DJs, como lindy hoppers, artistas circenses, e a festa tem uma proposta diferente a cada edição”, conta Jéanne Yépez, de 24 anos, uma das organizadoras do evento, em que o público costuma ir vestido a caráter.

Quem tem um gosto musical, digamos, duvidoso, também garante seu espaço na night. As festas Bagaceira e a Ordinária, entre outras, se dedicam a tocar somente o trash: Molejo, Latino, Rouge, carreira solo de Sheila Mello. Tudo se encontra por aqui. “Sempre adorei música tosca e tinha muita vontade de curtir uma night assim, daí, criei a festa”, conta o produtor e DJ Lindote, de 31 anos. “Já tivemos edições como vilãs brasileiras versus vilãs mexicanas, com set list pensando em trilhas das novelas e decoração caprichada”, diz.

‘Body shots’%2C doses de bebidas servidas no corpo%2C são atração da Sex TapeDivulgação

Para curtir as festas, pode pesar a mão no glitter, caprichar no visual, e o moralismo deve ficar em casa. A Sex Tape, que em agosto completa sete anos, é uma festa dedicada a temas eróticos, inspirada no ‘spring break’ e nas brincadeiras apimentadas de fraternidades de faculdades americanas. Na noite, que já rolou até em uma casa de swing, há sempre filmes pornô nos telões e muitos joguinhos sensuais, como ‘body shots’, em que as doses de bebidas são servidas no corpo dos festeiros. “Somos três DJs mulheres e já ouvimos muita coisa, que somos vadias, que a festa era uma baixaria... A verdade é que todo mundo gosta de sexo, e eu acho que a noite é um momento pra se desligar do dia a dia, do cotidiano, subir no palco, dançar, se sentir sensual”, defende a DJ Ivy Nascimento, de 29 anos.

A festa Quebrando a Cena também aposta na irreverência. Ingrid Gründig, de 20 anos, produtora e DJ residente do evento, que mistura rock e funk em duas pistas, criou várias atrações apimentadas para a noite que assina. “Temos o ‘bandeirão da vacilação’, que cobre toda a boate e, lá embaixo, pode rolar de tudo, numa boa, sem julgamento. Ninguém filma nem fotografa. Também rola o concurso de camiseta molhada, do menor shortinho, de pole dance, vamos variando sempre”, diz ela.

IMITAÇÕES FORA DO RIO

As ideias originais, que tanto agradam ao público, também despertam a atenção de outros produtores de festas na cidade. César Lindote, responsável pelas festas Bagaceira e Ordinária, admite se incomodar. “É normal se inspirar numa ideia, mas as festas fazem cópias descaradas. Até o layout e a descrição do eventos são cópias das minhas festas, assim como o setlist”, afirma ele.

Nascimento, da Sex Tape, conta que fica cada vez mais difícil surpreender os frequentadores com algo novo. “As festas copiam as ideias e a noite acaba ficando repetitiva, mas isso é normal. A saída é pesquisar muito para sempre oferecer uma experiência diferenciada ao público da festa”, opina a produtora.

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