Eduardo Lages festeja cinco décadas de carreira com show só seu

Maestro está há quase 40 anos à frente da orquestra de Roberto Carlos

Por O Dia

Rio - Há 37 anos, quando ele está ali, no palco regendo a orquestra de Roberto Carlos, Eduardo Lages vive um momento lindo. Mas, tendo começado a tocar piano tão cedo, aos 4 anos, claro que sua trajetória musical também reúne momentos de emoções, digamos, menos glamourosas. “Comecei de forma muito simples: tocando nas igrejas e nos puteiros de Niterói. Na igreja, eu tocava sozinho, mas no puteiro era mais legal, tinha uma banda boa pra caramba!”, rememora Lages, às gargalhadas.

'Comecei de forma muito simples%3A tocando nas igrejas e nos puteiros de Niterói'%2C diz Eduardo LagesMárcio Mercante / Agência O Dia

Aos 68 anos, o maestro, instrumentista, arranjador, regente, produtor e compositor vê a realização de um sonho antigo: protagonizar um espetáculo que popularizasse a música orquestrada. ‘Eduardo Lages & Orquestra — o Maestro do Rei’, que estreou mês passado em São Paulo e chega ao Vivo Rio nesta sexta-feira, coincide com a celebração de suas cinco décadas de carreira.

“Considero o marco inicial o dia que ganhei o primeiro cachê, na igreja. Era como se fossem uns R$ 10 de hoje. O puteiro pagava o dobro!”, diverte-se Lages com os detalhes de sua vida, histórias que ele conta ao DIA durante uma agradável tarde de segunda-feira, em sua cobertura na Fonte da Saudade.

No show, o maestro e sua orquestra encenam o dia a dia em uma rádio FM, enquanto executam sucessos de um repertório para lá de eclético, que mistura ‘É o Amor’ (Zezé Di Camargo & Luciano) com ‘Maria, Maria’ (Milton Nascimento) e ‘Eleanor Rigby’ (Beatles) com ‘Happy’ (Pharrell Williams). Além de, é claro, clássicos de Roberto Carlos. “Não conte para ninguém, mas ele vai no Vivo Rio sexta-feira”, anuncia Lages. “A inspiração para este show foi o violinista André Rieu. Quando vi a forma de ele fazer uma apresentação popular com orquestra, pensei em fazer algo parecido, com a temática brasileira. Aqui, não temos a cultura da música instrumental. O Brasil é o país do cantor! É difícil fazer um show instrumental sem que vire música ambiente na quarta música.”

Roberto Carlos e Eduardo LagesAndré Luiz Mello / Agência O Dia

E para atrair a atenção do público, até Ivete Sangalo foi escalada. A baiana encarna, através de uma participação pré-gravada, uma animada ouvinte nordestina. “Ela entra em um quadro no estilo do ‘Qual É a Música?’, do Silvio Santos”, detalha.

O papo animado e descontraído vai e volta aos primeiros tempos dos 50 anos de carreira. E até antes, momentos que Eduardo Lages não esqueceu. “Se eu fui o primeiro namorado da Baby?”, espanta-se com a pergunta, sobre sua conterrânea niteroiense, ex-Consuelo e atual ‘do Brasil’. “Ah, Bernadete! A gente cantava junto em um conjunto, eu era muito novinho, ela mais ainda, mas nunca rolou nada...”, desconversa, meio ruborizado. “ O que ela tem de doida, tem de talentosa!”

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