Por karilayn.areias

Rio - De texano, John Nicholson ainda tem a certidão de nascimento e lembranças dos anos de juventude. De resto, são quase 38 anos de carioquice — natural para um artista plástico americano que chegou ao Rio de Janeiro na Quarta-feira de Cinzas de 1977 e nunca mais pensou em partir. A afeição pela capital fluminense é notada de forma imediata ao olhar para as telas que compõem a exposição ‘A Praia’, que ficará em cartaz até o dia 31 no Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas, em Santa Teresa.

A tela ‘Ipanema’ mostra como as paisagens praianas são fundamentais no trabalho de John NicholsonDivulgação

Com curadoria de Clarisse Tarran e texto de apresentação de Guido Cavalcante, a mostra reúne 30 pinturas a óleo produzidas nos últimos quatro anos. A série de obras, que começou a ser desenvolvida em 2009, descreve cenas do cotidiano que podem ser vistas nas praias da Zona Sul.
“Meus trabalhos tratam desse meu autoexílio no Rio de Janeiro, que é uma cidade de luminosidade intensa, calor e que tem ritmos barulhentos e vitais. Gosto de captar a personalidade única da cidade”, explica Nicholson.

Com o trabalho calcado na tradição norte-americana — na qual o realismo, a fotografia e a arte pop exercem forte influência sobre a pintura dos séculos XX e XXI —, o artista acredita que o mais importante no processo de criação é poder utilizar a fotografia para capturar o indivíduo e lançá-lo no espaço pictórico, como se este fosse um espaço real, o seu habitat diário.

O processo de criação do artista começa longe da tela, por meio da fotografia. Ele dedica muito tempo ao registro de cenas em diferentes horários, estações do ano e dias da semana, tanto no calçadão como nas areias do Leme, de Copacabana, de Ipanema e do Leblon. A partir dessas imagens, escolhe os ângulos que vão servir de inspiração para as pinturas .

“Viver no Rio mudou o meu olhar para sempre. Aqui, com a orientação de artistas como Luiz Aquila e Claudio Kupermann, pude ver essa cidade como algo plástico, que me envolvia como pintor. Lembra um pouco um filme do (cineasta Akira) Kurosawa, em que a personagem caminha dentro de um quadro de Van Gogh. O Rio me dá isso.”

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