Por tiago.frederico

Rio - Na obra de Lenine, a forma adquirida por sua música no estúdio é tão importante quanto a música em si. ‘Carbono’, CD lançado esta semana pelo artista pernambucano, evidencia a importância da alquimia do estúdio para a obra autoral do compositor. Isoladamente, parte das 11 músicas inéditas do disco talvez nem chamasse a atenção dentro dessa obra. Contudo, da maneira como são expostas em ‘Carbono’, essas 11 músicas formam um todo sedutor que faz com que o CD se imponha de imediato como um dos pontos mais altos da discografia de Lenine.

Lenine lança álbum de músicas inéditas%2C ‘Carbono’%2C no qual apresenta sua primeira composição feita e gravada com a banda Nação ZumbiDivulgação / Flora Pimentel

Produzido por JR Tostoi e Bruno Giorgi com o próprio Lenine, ‘Carbono’ soa marcante da primeira à última das 11 faixas. Para o ‘grande público’, a música de maior apelo talvez seja ‘Simples assim’, balada de tons serenos que busca paz. Parceria de Lenine com Dudu Falcão, ‘Simples assim’ é a ‘Paciência’ do disco. Mas ‘Cupim de ferro’ também chama naturalmente atenção por ser a primeira música composta e gravada por Lenine com os músicos da banda pernambucana Nação Zumbi. Com letra repleta de alusões a versos de frevo de Capiba (1904 - 1997), ‘Cupim de ferro’ mescla pegadas de Lenine e da Nação.

‘Carbono’ é marcado por misturas de sons, estilos e nomes. Música de Lenine e Carlos Rennó, ‘À meia-noite dos tambores silenciosos’ embute carga de ancestralidade na mistura de sopros e percussões da Orkestra Rumpilezz, regida pelo maestro Letieres Leite. Já ‘O impossível vem pra ficar’, de Lenine e Vinicius Calderoni, incorpora a batida do grupo paulistano 5 a Seco sem deixar de ser e soar como música de Lenine. ‘Grafite diamante’ é roqueira, ‘noise’. Já ‘Quem leva a vida sou eu’ desmente e reverencia Zeca Pagodinho.

Trunfo do CD, ‘O universo na cabeça do alfinete’ traz pura poesia na letra. Tudo brilha diferente com Lenine.

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