Por karilayn.areias
O disco ‘Nossa Parceria’%2C contam Moraes e Davi%2C começou como um disco solo do filho%2C mas foi feito a quatro mãosMarcos Hermes/ Divulgação

Rio - Faz uns dois anos que Moraes Moreira e Davi Moraes, pai e filho, caíram na estrada com o show comemorativo do disco ‘Acabou Chorare’, clássico do Novos Baianos, grupo que catapultou Moraes ao estrelato. “A coisa pegou fogo, e a gente não estava conseguindo parar”, constata Davi.

Pois chegou a hora dessa dupla (nem tão bronzeada assim, vá lá) mostrar seu valor: contemplados por um edital da Petrobras, eles finalmente lançam um CD com músicas inéditas, batizado apropriadamente de ‘Nossa Parceria’ — e que tem show de lançamento dia 26, na Miranda.

“A gente se prometia esse disco há anos. O ‘Acabou Chorare’ foi uma turnê do c..., o Davi, como guitarrista bom que é, tocou os arranjos todos que o Pepeu (Gomes) fazia”, coruja o pai Moraes, comparando o filho ao virtuoso titular das seis cordas do Novos Baianos. “E sobrou muita música nova, dá para fazer mais uns quatro ou cinco discos só de música nova”, anuncia.

Davi contextualiza: “Sou consequência dessa escola rica de tocar guitarra no samba, de caras como Pepeu, Armandinho, Luiz Caldas, Robertinho de Recife e vários outros guitarristas que conseguem colocar o tempero brasileiro no rock, no blues. Com todo orgulho hoje faço parte dessa turma, levando pra frente o que aprendi com nossos mestres.”

A tal “nossa parceria”, na verdade, vem de antes. Pode-se dizer que data dos tempos em que a trupe do Novos Baianos — que incluía ainda Baby do Brasil (ex-Consuelo), Paulinho Boca de Cantor e Galvão, além de Moraes e Pepeu — vivia em um sítio no maior climão de sociedade alternativa. “Com uns 4, 5 anos, eu saquei que o Davi tinha uma grande aptidão para a música. Ele começou a imitar os instrumentistas nos shows. Ele não tocava, mas fazia as paradas todas certas, os breques dos arranjos, tudo. E gostava de brincar com guitarrinhas de plástico. Foi catando milho e, quando vi, já estava tocando ‘Brasileirinho’. Foi o símbolo do começo dele”, rememora Moraes Moreira.

O novo CD é o desdobramento do que inicialmente seria um disco apenas de Davi, até a notícia do edital, quando mudou o rumo. “Comecei a fazer algo solo, chamei o Daniel Jobim (neto do Tom) para participar, quando de repente apareceu a oportunidade de fazer o disco com meu pai. Já tinham três parecerias nossas prontas. Aí ele foi trazendo outras coisas dele, e coisas que queria gravar. Mostrei uma outra que fiz com Carlinhos Brown, que meu pai adorou. Cada um trouxe suas ideias e foi feito a quatro mãos”, detalha Davi. “Foi um disco feito mesmo mais livre, sem aquilo de gravadora em cima, e essa liberdade nos deu um gostinho especial.”

O pai faz coro: “Isso nos deu uma liberdade absurda, não teve nenhum produtor chato de gravadora lá com a gente. Imagina você falar para uma gravadora que vão ter duas músicas instrumentais... eles piram! Não quero mais pensar em fazer música para tocar no rádio. Agora quero é fazer meu disco, e, se tiver música boa para o rádio, beleza!”, sentencia Moraes.

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