Grupo Camisa de Vênus está de volta com dois músicos originais

Banda celebra 35 anos de estrada com show no Circo Voador

Por O Dia

Rio - Retornos do Camisa de Vênus não são estranhos para os fãs. Eles sempre se reuniam para lançar DVD e fazer shows esporádicos. Mas desta vez é diferente. “O Ayrton Valadão (empresário) me ligou e disse: ‘O Camisa tá fazendo 35 anos. Vamos fazer uma turnê?’, diz Marcelo Nova, cantor da banda baiana, que leva seus sucessos (e, por intermédio dos fãs, o grito de guerra “bota pra f...”) sábado para o Circo Voador. “Eu estava desligado da data. Falei: ‘P..., você tem razão, 35 anos. Como eu tô velho, cacete!’” 

Marcelo (na frente) e Robério%3A ironia e sarcasmo em várias letras Divulgação


Antes do retorno, Marcelo vinha se dedicando a dois trabalhos diferentes: a turnê de 25 anos do disco ‘A Panela do Diabo’, que gravou em 1989 com Raul Seixas e acabou sendo o último do autor de ‘Gita’, morto naquele ano; e o disco mais recente, ‘12 Fêmeas’ (2013).

“Tenho 63 anos, já tenho uma neta. Me dou ao direito de revisitar meu repertório”, conta. “Quero é me divertir. O próprio ‘Panela’ surgiu disso: não fiz nada para comemorar nem os dez nem os 15 anos. Nos 25, pensei: ou faço agora ou só no crematório.”

O Camisa que volta aos palcos é bem diferente. Os guitarristas Gustavo Mullem e Karl Hummel, que estavam envolvidos com uma formação da banda sem o vocalista Nova, ficaram de fora. Volta só Robério Santana (baixo), fundador do grupo ao lado de Marcelo. No acompanhamento, a turma que está com o cantor na carreira solo: na bateria, Célio Glouster, e nas guitarras, Leandro Dalle e o filho de 22 do cantor, Drake Nova.

“Com 15, 16 anos, meu filho já queria saber de timbres de guitarra. Um garoto nessa idade quer tocar igual ao Joe Satriani. Essa preocupação me surpreendeu. Aos 17, ele já tocava comigo”, conta. “Fora o interesse dele por nomes como Rory Gallagher, Leslie West, Robin Trower, que não são comuns.”

Um clima diferente do Camisa de hits como ‘Bete Morreu’, ‘Silvia’ e ‘O Adventista’, surgidos numa época em que Marcelo queria um som bem menos polido. “Não tinha muito fru-fru, realmente. Na época em que comecei, eu nem sabia tocar. A primeira vez que subi num palco na vida foi com o Camisa, e numa casa em que cabiam 800 pessoas. Me parecia inadequado seguir uma trajetória formal.”

Em tempos de ânimos acirrados no Facebook, músicas como ‘Bete Morreu’, cuja letra narra um estupro seguido de assassinato, prometem causar novas polêmicas. “As pessoas perderam o sabor da ironia e do sarcasmo. Se a internet é interessante, por outro lado ela virou um tribunal do semianalfabetismo, de gente que possui a verdade e quer enfiá-la na garganta do outro a qualquer custo”, acredita o cantor.

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