Lázaro Ramos está no elenco de ‘O Vendedor de Passados’

Lançando filme sobre o tema, ator diz que só mudaria o futuro

Por O Dia

Olinda, Pernambuco - Quando se trata do passado, Lázaro Ramos se diz quase um militante do assunto. “Pesquiso e coleciono coisas antigas, como selos, moedas e fotografias do Rio antigo.” Mas, ao protagonizar o ‘O Vendedor de Passados’, exibido no 19º Cine PE, na noite de domingo, ele chegou à conclusão de que prefere ser Lázaro, O Vendedor de Futuros, como brinca o próprio ao falar sobre o tema do longa que reabrirá o Odeon, no próximo dia 21. 

Lázaro Ramos posa em Olinda%2C onde apresenta seu novo longa ‘O Vendedor de Passados’ no 19º Cine PEDaniela Nader


“A memória é fundamental para decidir a identidade de cada um”, diz Lázaro. Então, o que fazer quando se deseja ser outra pessoa? É esse o trabalho de Vicente, personagem vivido por Lázaro na adaptação para o cinema do livro homônimo do angolano José Eduardo Agualusa. Ele cria passados falsos, a gosto de seus clientes. O negócio vai bem, até que lhe aparece sua cliente mais difícil (Alinne Moraes), por quem se apaixona. Sem nada dizer sobre sua vida, ela só faz uma exigência: quer um passado no qual tenha cometido um crime.

Já Lázaro prefere aprender com os erros para escrever novas linhas e não tentar reescrever as antigas. “Até os aspectos negativos da nossa história fazem a gente refletir. Por isso, talvez eu não apagasse nada. Talvez eu escrevesse um futuro onde cada um conhecesse cada vez mais sua história para não cometer os mesmos erros de antes”, diz o ator, admitindo que, mesmo assim, apagaria coisas do nosso currículo, como a escravidão e a ditadura.

“É engraçado isso: quando vamos pesquisar os documentos históricos do Brasil, tem alguns que faltam. Isso seria tão importante para a gente se entender melhor”, comenta ele, que dispara: “Sei que o fato de eu ser um ator negro, em um filme que fala de passado, memória e identidade, possibilita também um monte de conexões, como os documentos que Rui Barbosa queimou dos negros que vieram da África e, hoje, a gente não sabe a nossa origem.”

Para Lázaro, detalhes aparentemente aleatórios têm muito mais em comum com a temática abordada no filme de Lula do que se imagina. “Para você ver: a quantidade de cirurgia estética que temos por aqui diz muita coisa. Tem gente que chega a passar dos limites porque está insatisfeito com a passagem do tempo. Sem recriminar ninguém, mas acho que, às vezes, o mais bonito é ver essa passagem”, avalia o ator.

Aliás, em um trecho do filme, um dos clientes de Vicente (Anderson Müller) faz cirurgias em todo o corpo e encomenda um passado, acreditando que assim conseguirá se relacionar pela primeira vez com uma mulher. “Vejo gente que chega na internet com perfil falso, vivendo e falando coisas que não falaria na vida real. Isso quer dizer alguma coisa. Ficarei feliz se o filme colocar essa pulguinha atrás da orelha de quem assisti-lo.”

Se depender de Lázaro, essa “pulguinha” não será solta apenas por ‘O Vendedor de Passados’. Ele, que assina como produtor associado do longa, já tem novos planos em vista: se tornar diretor. “Tenho feito produção associada da maioria dos últimos filmes em que atuei. É uma espécie de escola, pois quero dirigir também”, revela. Com o dever de casa em dia, o ator já toca o projeto de seu primeiro longa-metragem como cineasta, que deve ser rodado no final de 2016. “É algo que já estou trabalhando há quatro anos. Estou negociando ainda, mas posso adiantar que quero que seja uma história urbana e contemporânea”, diz Lázaro, deixando mais uma pulga atrás de nossas orelhas.

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