Por daniela.lima

Rio - O Cine PE movimentou não só a sua cidade sede, Recife, durante sua 19ª edição, encerrada no último fim de semana. O prêmio de melhor longa-metragem foi para a produção local ‘Permanência’, de Leonardo Lacca. Mas o festival também foi palco para longas e curtas de todo o país, com uma programação marcada por assuntos polêmicos.

Temas políticos esquentaram as noites do Cine PE. Um grupo vaiou a homenagem ao ex-governador Eduardo Campos, causando constrangimento entre os organizadores e a família do político, morto em 2014. O documentário ‘Aqui Deste Lugar’, sobre famílias que utilizam o benefício do programa Bolsa Família, dividiu o público. Alguns o acusaram de propaganda política, enquanto outros o defendiam como retrato de um novo Brasil. “A ideia era não fazer propaganda, mas mostrar o que funciona e o que não funciona com o programa”, defendeu-se o diretor Sérgio Machado.

Aliás, o documentário foi o primeiro de alguns títulos prejudicados por problemas no som da sala. “No final da sessão, um cara chegou para mim e disse: ‘Que legal, vocês distorceram a voz dos personagens, que original’”, lamentou o cineasta Sérgio Machado. Alfredo Bertini, diretor do Cine PE, pediu desculpas e informou que o cinema será fechado em breve para obras.

Temas místicos e religiosos também tiveram forte presença no telão. Teve ‘O Amuleto’, história de terror com bruxas de Florianópolis, além de diferentes abordagens sobre o candomblé. Mas as palavras mais ouvidas durante o Cine PE foram: ‘ocupar’ e ‘resistir’. Elas ecoavam diariamente pelo São Luiz, em apoio ao movimento ‘Ocupe Estelita’, protagonista de protestos em defesa do Cais José Estelita da especulação imobiliária.

Você pode gostar