Pioneiro show ‘Rosa de Ouro’ é revisitado no Sesc

Criado por Hermínio Bello de Carvalho, espetáculo que revelou Clementina de Jesus há 50 anos ganha homenagem com artistas da nova geração do samba

Por O Dia

Hermínio Bello de CarvalhoDivulgação

Rio - Há 50 anos, um espetáculo pioneiro levava sambistas de raiz à Zona Sul do Rio, quando o gênero andava meio esquecido pela classe média. Era o Rosa de Ouro, que reuniu nomes como Clementina de Jesus (revelada pelo projeto), Araci Cortes, Elton Medeiros, Nelson Sargento, Paulinho da Viola, Anescarzinho do Salgueiro e Jair do Cavaquinho. Para celebrar o show, que correu o país, o Sesc lançou o projeto ‘Rosa de Ouro — 50 Anos’, que também faz parte das homenagens às oito décadas de seu idealizador, Hermínio Bello de Carvalho, completadas no último dia 28 de março. 

O novo espetáculo, que acontece no Sesc Ginástico, no Centro, traz sambistas contemporâneos, como Nilze Carvalho, Ana Costa e Marcos Sacramento, entre outros, interpretando grandes clássicos do samba de todos os tempos, acompanhados pelo Grupo Samba de Fato — formado por Alfredo Del-Penho (voz e violão), Pedro Amorim (voz e bandolim), Pedro Miranda (voz e percussão) e Paulino Dias (voz e percussão) —, que também é responsável pela direção musical e arranjos. 

“Esse show fez um grande sucesso, se arrastou por um tempo. Marcou mesmo época. Num período dominado pela Jovem Guarda, a Bossa Nova, vinha com a estética, música do morro, feita nos terreiros, nas escolas”, lembra Hermínio, que, no palco, lembrará histórias da temporada do espetáculo, com mediação da jornalista Ana Claudia de Souza. As apresentações ainda vão contar com a exibição de depoimentos de nomes como Pixinguinha, Elizeth Cardoso e Almirante sobre clássicos do samba apresentados. 

“O Hermínio foi visionário. Deve ter sido muito impactante na época, porque o samba era um pouco malvisto. E aí quem chegava via que aquilo tinha um apuro estético muito grande”, comenta Pedro Miranda. “O Rosa de Ouro foi o ponto de partida para que nomes como a Clementina de Jesus fossem incorporados à nossa cultura.”

Com tantos anos de serviços prestados à música brasileira — seja como parceiro musical de nomes como Cartola, Paulinho da Viola e Martinho da Vila —, Hermínio recebe com alegria as homenagens. “Eu nunca pensei que fosse chegar aos 80, achei que fosse ficar na metade”, diverte-se. “Fico feliz de ser reverenciado pelas pessoas, por um público jovem. É muito importante trabalhar para os jovens, são essas pessoas que vão perpetuar o que a gente faz”, resume.

Hoje, o show será de Nilze Carvalho e Luiza Dionizio. Hermínio fala sobre a mistura entre erudito e popular feita por artistas do samba. Ainda haverá apresentações do ‘Rosa de Ouro – 50 Anos’ na próxima terça-feira (com Ana Costa e Glória Bomfim) e na quarta-feira, dia 20 (Nini Wirti e Marcos Sacramento).

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