Circo Voador arma a sua tenda no Arpoador, local onde nasceu

Nos próximos meses, a lona vai receber vários lançamentos, tanto de artistas renomados como da nova geração

Por O Dia

Rio - O Circo Voador querido dos cariocas, palco de tantos shows memoráveis, no momento prepara-se para novos voos. Na verdade, alguns dos roteiros são conhecidos, e levam a lona ao passado, para o ano de 1982, quando o espaço nasceu, no Arpoador. Em junho, seu palco, acreditem, promete aterrissar por duas vezes em seu local de origem — pretende-se até mesmo erguer lá uma réplica da lona original.

“Adoro isso, de tirar o Circo de dentro do Circo”, entusiasma-se Gaby Morenah, filha de Maria Juçá, a diretora da lona da Lapa. Enquanto seu arquivo de imagens e memorabilia começa a ser disponibilizado no projeto ‘Acervo’, a equipe de produtores do Circo mira também no futuro e vai abrigar uma garotada nova e que precisa se solidificar no projeto ‘A Praça’. E tem mais: nos próximos dois, três meses, o Circo vai receber vários lançamentos tanto de artistas renomados como da nova geração. Apertem o cinto...

Gaby Morenah e DJ Lencinho%3A produtores do Circo anunciam novidadesMaíra Coelho / Agência O Dia

LANÇAMENTOS

Se no seu início o Circo ficou marcado por acreditar e dar espaço às bandas e artistas que estavam começando, atualmente, além de continuar fazendo isso, ele vêm se consolidando como o grande palco de lançamentos da cidade. Alguns deles: Alpha Blondy (próxima sexta, dia 22), Elba Ramalho (dia 3 de junho), Rael e Bixiga 70 (dia 5 de junho), Cícero (6 de junho), Tulipa Ruiz (12 de junho), Matanza (18 de julho).

“Além de fazer o lançamento do novo álbum, ‘Pior Cenário Possível’, em 2011 lançamos lá o ‘Odiosa Natureza Humana’. E desde 2012 realizamos no Circo o ‘Matanza Fest’, evento que já reuniu bandas como Gangrena Gasosa, Mukeka di Rato, Biohazard, entre outras”, lista Jimmy, vocalista do Matanza. “Temos uma história com o Circo, e isso faz a diferença na hora de escolhermos onde queremos tocar. Se sentir em casa não é uma coisa que aconteça do dia pra noite.”

Nos dias 5 e 6 de junho, além dos shows, novidade: a lona abriga o festival ‘RangOut — Larica, Diversão e Arte’, com food trucks e cerveja artesanal. “Vamos apresentar novos chefs, queremos trazer novos sabores para o Circo”, conta Gaby.

EXAGERADO
Para o dia 12 de junho, portanto Dia dos Namorados, está sendo planejado o reencontro — amoroso, por que não? — do Circo Voador com o Arpoador, local onde nasceu, antes de se estabelecer na Lapa. Tudo ao som de ‘Exagerado’, composição de Cazuza, Ezequiel Neves e Leoni, sob uma lona fiel à original, em uma produção da Musickeria, empresa de Luiz Calainho voltada para o segmento musical.

“Todo ano muita gente nos procura querendo levar o Circo de volta para o Arpoador”, revela Gaby Morenah. “Nesse evento, o Circo está sendo só homenageado, a gente daqui só foi consultado para aprovar a ideia de um show com músicos que estiveram com o Cazuza se alternando acompanhados por uma banda fixa. A música ‘Exagerado’ tem tudo a ver com o Circo, claro que a gente curtiu”, detalha Gaby. “Demos algumas sugestões também, claro”, acrescenta o DJ Lencinho, do time de produtores da casa. “Como, por exemplo, levar para o evento as oficinas de arte do Circo, entre elas a Companhia Aérea de Dança.”

Banda Tree%2C coletivo La Vai Maria%2C bloco Amigos da Onça e DJ Guzz The Fuzz são as atrações da estreia de 'A Praça'Maíra Coelho / Agência O Dia

A PRAÇA

Há dois anos, a trupe no comando do Circo começou um projeto para inserir artistas da cena independente nas aberturas dos shows. Mas nem todas as bandas maiores deixam rolar de boa. “Então, dessa vez vamos tirar essa galera da abertura para virarem protagonistas”, decreta Lencinho, sobre ‘A Praça’.

A partir do dia 14 de junho, um domingo por mês coletivos e grupos que encaram as ruas já com frequência vão parar na lona. “Não usaremos o palco, vamos transformar o Circo em uma arena com a galera assistindo ao redor. Vale destacar também que não vamos apenas tratar de música. Teatro, circo, moda, lançamento de livros, gastronomia e quadrinhos também estão na mira. Enfim, mais uma vez se percebe uma juventude atuante na cidade, e essa galera tem que estar dentro do Circo”, continua Lencinho.

Para tanto, o preço será popular (R$ 10 para estudante ou para quem doar um gibi). “Quando penso nesse projeto, penso no Circo como ponto de encontro e troca de ideias. Eu lembro que nos anos 90 ia para o Circo com meus amigos para o que viesse, independentemente da atração, mais pelo programa, pelo encontro”, rememora o DJ.
Para a estreia, estão programados banda Tree, coletivo La Vai Maria, bloco Amigos da Onça e DJ Guzz The Fuzz (do Beach Combers), entre outras atrações.

DIA DA MÚSICA
Ainda em junho, mais precisamente no dia 21, o Circo volta mais uma vez ao Arpoador. Desta vez, sem lona. “Fomos convidados para ser os curadores de um dos palcos do Dia da Música”, explica Gaby, sobre a maratona cultural que vai acontecer em diversos pontos da cidade. “Convidamos os grupos El Efecto, e Marcelo Vig, do Rio, além de Strobo, do Pará, e Primos Distantes, de São Paulo. Acho legal levar o Circo para vários lugares, tem que circular o Circo pela cidade. O Circo tem essa essência de ser uma coisa voadora. A cidade está pulsando, e o Circo tem que estar pulsando junto!”, decreta Gaby.

ACERVO
De 1982 até hoje o Circo Voador reuniu mais de oito mil horas de registros audiovisuais, além de uma coleção de fotografias, cartazes, releases e filipetas de divulgação. Este acervo acaba de ser catalogado e está disponível para pesquisadores, fãs e demais interessados. É possível baixar o catálogo no site do Circo (www.circovoador.com.br) ou agendar uma visita para pesquisa, enviando um e-mail para acervo@circovoador.com.br.

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