Por tabata.uchoa

Rio - A História conta que era dia 19 de maio de 1990, um sábado, quando os DJs Markin New Charm, Kally e Loopy dividiram o toca-discos com os DJs Marlboro (que deu apoio com seus equipamentos), Fernandinho e Corello. E assim iniciou-se a história do hoje tradicional Baile Charme do Viaduto de Madureira. “Eu estava no primeiro baile e logo me tornei frequentador. O viaduto era o point da rapaziada que não tinha dinheiro, dos camelôs que arrumavam uma caixa de som e se reuniam pra dançar”, contextualiza o DJ Guto, que tem 45 anos.

Presença black%3A Horrana (a terceira%2C a partir da esq.) e suas amigas não perdem um baile e fazem aula de dançaMárcio Mercante / Agência O Dia

De lá para cá, muita coisa mudou. O baile não é mais gratuito, porém se organizou, e Guto não é mais apenas um frequentador assíduo: amanhã, ele será uma das estrelas no comando das carrapetas na festa que celebra os 25 anos do baile mais charmoso do Brasil. “Todo DJ quer tocar no Baile do Viaduto de Madureira, é que nem jogar a Copa do Mundo, porque é um baile reconhecido mundialmente”, destaca o DJ Emekay, também escalado para discotecar na comemoração (completam a programação Fernandinho, Michell e Xokolaty).

As Bodas de Prata serão comemoradas no embalo da aparição na novela ‘Babilônia’ — inclusive, espera-se a presença de atores do elenco da trama. “O baile passou a ferver muito mais depois que foi destaque na novela. Foi uma grande divulgação”, destaca Horrana Faria, 22 anos. Figurante da TV Globo, ela estava lá na sequência em que Laís (Luisa Arraes) flagra Rafa (Chay Suede) levando um beijo de Helô (Carla Salle). “No dia da filmagem, ficou gente pendurada onde podia, só para assistir”, conta ela.

Em 2012, o baile de Madureira inspirou a novela ‘Avenida Brasil’ — tinha um núcleo chamado Baile do Divino que fazia os famosos passinhos. E, mais recentemente, o Viaduto Negrão de Lima também foi visitado pela Globo, para uma matéria no programa ‘Profissão Repórter’, sendo considerado um lugar muito bem frequentado da noite carioca. “Existem outros bailes de charme pela cidade, mas o daqui é o melhor, pelo ambiente, pelas pessoas que frequentam, a energia. Você chega e se esquece de tudo, só quer dançar”, relata Robson Jr., 20 anos.

Todo sábado à tarde, ele tem aulas de passinho lá, no mesmo local onde, à noite, a festa ferve. “Como o espaço se tornou uma referência, as aulas atraem gente que vem de longe, tenho aluno até de Seropédica”, orgulha-se o professor de dança Lucas Leiroz.

A própria Horrana atravessa quilômetros para estudar a dança em Madureira. “Venho de Campo Grande, mas vale a pena, é uma terapia. O que eu aprendo de tarde, coloco em prática de noite”, anima-se ela.

BEM CULTURAL
Em 1995, o espaço teve suas dependências reformadas, visando o controle e a segurança do público. “Isso foi fundamental para incentivar a profissionalização dos DJs da comunidade”, aponta o DJ Guto. Em 2013, o Baile Charme do Viaduto de Madureira foi declarado Bem Cultural de Natureza Imaterial da Cidade do Rio de Janeiro. Hoje, o Viaduto é conhecido como um centro de concentração popular, responsável pela difusão da cultura negra. Que venham mais 25 anos.

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