Por tabata.uchoa

Rio - Imagine poder reescrever a sua própria história? Em ‘O Vendedor de Passados’ isso é trabalho para Lázaro Ramos, ou melhor, Vicente. O personagem ganha a vida inventando novos passados para seus clientes. Ele monta álbuns de infância, casamento etc. Nada que o profissional não tire de letra. Pelo menos até encontrar Clara (Alinne Moraes), que lhe encomenda o trabalho mais desafiador de sua carreira.

Lázaro Ramos e Alinne Moraes em cena de ‘O Vendedor de Passados’Divulgação

Não se sabe muito sobre Vicente, nem sobre sua família e amigos. Menos ainda se sabe sobre Clara. É nesse jogo de verdades e mentiras que toda a história vai se desenrolando. Se essa proposta não se encaixasse perfeitamente na trama, o filme de Lula Buarque de Hollanda poderia soar superficial em demasia. Sua grande sacada foi adaptar o livro homônimo de José Eduardo Agualusa de forma que o espectador nunca saiba se os personagens estão sendo sinceros ou não.

Aliás, quando fica claro que alguém está mentindo, esse jogo oscila do dramático ao cômico. Talvez, por isso, o filme provoque reações tão distintas do público — do riso àquela apreensão típica do suspense.
As atuações de Lázaro Ramos e Alinne Moraes parecem se encaixar. Ele empresta uma doçura a Vicente, ao mesmo tempo que ela cria uma Clara dura e misteriosa. A combinação favorece a química entre os dois, que vivem um romance em cena.

‘O Vendedor de Passados’ é um filme de muitos acertos. Mas peca um pouco na construção da narrativa. Por mais que seu jogo seja comandado por verdades e mentiras, para quem o assiste, fica a impressão de que faltou explorar algo dentro dessa premissa tão interessante.

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