Por nicolas.satriano

Rio - Esqueça para sempre a Maria Gadú melodiosa do hit ‘Shimbalaiê’! Ao lançar em 2011 seu segundo CD de estúdio, ‘Mais uma página’, a artista paulistana já mostrou que não estava disposta a seguir a fórmula do sucesso do disco de 2009, ‘Maria Gadú’, que a transformou em mania nacional. Só que o voo de seu terceiro álbum de estúdio, ‘Guelã’, é ainda mais alto. O CD chega às lojas em junho pelo selo Slap.

O próprio título ‘Guelã’ já sinaliza a salutar estranheza entranhada neste bom disco produzido pela própria Gadú com dez músicas de sonoridades inusitadas. Nove são inéditas, de autoria da própria Gadú. A exceção é a regravação sedutora de ‘Trovoa’ (2007), música de Maurício Pereira, ode à mulher amada que, em ‘Guelã, está sintonizada com ‘Ela’, uma das músicas mais bonitas da safra inédita e autoral feita por Gadú para o disco coproduzido por Federico Puppi.

Maria Gadú lança seu terceiro álbum de estúdio%2C ‘Guelã’%2C com nove músicas inéditas que distanciam a artista da fórmula de sucesso popularGabriel Wickbold / Divulgação Slap

Os versos finais da quase instrumental ‘Aquária’ — “Dois pontos negros no céu / Focam seus olhos no meu / Tendo o silêncio no peito / Lendo o silêncio com os olhos / Faz silêncio de mim” — são tradutores fiéis deste disco que também preza o silêncio (palavra, aliás, recorrente nas letras de várias músicas) e longas partes instrumentais nos arranjos.

Primeira música lançada na web, ‘O bloco’ — parceria de Gadú com Maycon Ananias — já tinha dado a pista de que Gadú está evoluindo em (com)passo próprio. Só que ‘Guelã’ se revelou mais arrojado e radical em seu todo. O conjunto é harmonioso, ainda que a anemia de uma ou outra música inédita, como ‘Há’, tire alguns pontos do saldo final do álbum.

Por mais que apresente parcerias da artista com nomes como Mayra Andrade (coautora de ‘Sakédu’, tema levado nos ‘vocalises’), ‘Guelã’ é álbum íntimo e pessoal de Gadú, corajosa a ponto de virar a página e o disco.

Alegre, Diogo dá voz a samba 'jovens'

Diogo Nogueira honrou sua dinastia ao lançar, no ano passado, ‘Bossa negra’, estupendo disco assinado com o bandolinista Hamilton de Holanda e inspirado pelos afro-sambas de Baden Powell (1937 - 2000) e Vinicius de Moraes (1913 - 1980). Mas a indústria da música tem suas leis e jamais vai desperdiçar o potencial comercial de um cantor-galã como Diogo. É por isso que, em junho, o artista volta para seu trilho habitual com o lançamento de seu terceiro álbum solo de estúdio, ‘Porta-voz da alegria’, que chega ao mercado fonográfico a partir de 9 de junho.

O fato de a produção do disco ter sido confiada a Bruno Cardoso e a Lelê — músicos projetados no grupo Sorriso Maroto que passaram a atuar também nos bastidores — ja sinaliza que a intenção é manter o filho de João Nogueira (1941 - 2000) em sintonia com o samba em voga no mercado. Já em rotação nas rádios e ‘web’, o primeiro ‘single’ promocional do álbum, ‘Tenta a sorte’, joga para a galera que prefere ouvir Diogo cantando samba mais ‘jovem’.

Diogo Nogueira canta parceria de Jorge Vercillo com Paulo César Feital no álbum ‘Porta-voz da alegria’Reprodução da capa do CD 'Porta-voz da Alegria'

‘Tenta a sorte’ é samba da lavra de André Renato e Luiz Cláudio Picolé. Trata-se da mesma dupla de autores do samba que dá nome ao disco, ‘Porta-voz da alegria’, composição idealizada para as rodas de samba.

Falando em rodas de samba, o repertório inclui hit desses eventos informais, ‘Alma boêmia’, belo samba de 2010, já gravado por seu compositor Toninho Geraes (parceiro de Paulinho Rezede no tema), mas ainda pouco ouvido fora das rodas.

Em ‘Porta-voz da alegria’, Diogo canta jovens sambistas e bambas já veteranos. Sombrinha está presente no disco com ‘Pra amenizar teu coração’, parceria com Dudu Nobre. Arlindo Cruz é o parceiro de Rogê em ‘Musas’, samba que cita sambas como ‘Ai, que saudades da Amélia’ (Ataulfo Alves e Mário Lago, 1941), ‘Madalena’ (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza, 1970) e ‘Modinha pra Gabriela’ (Dorival Caymmi, 1975). Já ‘Grão de areia’ (Jorge Vercilo e Paulo César Feital) evoca outra musa, Clara Nunes (1942 - 1983).


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