Por tabata.uchoa

Rio - E aconteceu. Chegou no futebol e respinga em todos nós que assistimos, torcemos, opinamos e até vestimos a camisa da seleção pra torcer e legitimar o amor pelo nosso país. A senhora velhinha, quase imortal, foi apanhada na FIFA. Acho que, de verdade, todo mundo sabia um pouquinho do que estaria havendo no mundo das exclusividades de transmissão, das sedes para Copas e campeonatos, dos ingressos e de muito mais.

Se alguém se surpreendeu%2C com certeza foi por ato reflexo%2C pois no fundo todo mundo deveria imaginar que a Corrupção sempre esteve aliAgência O Dia

Se alguém se surpreendeu, com certeza foi por ato reflexo, pois no fundo, lá no fundo, todo mundo deveria imaginar que a nem tão distinta senhora Corrupção sempre esteve ali — nos campos, federações, confederações e acertos. Poder e dinheiro são nitroglicerina pura na mão dos humanos, diria um alienígena ao assistir via satélite aos últimos acontecimentos em questão.

O que talvez eles, os ETs, não saibam, é quem entre tantos fracos e corruptos existem alguns super-humanos que às vezes passam desapercebidos por entre as massas. É o caso de Loretta Lynch. Sem ela provavelmente não saberíamos de um esquema de corrupção tão antigo no futebol mundial. Ela é a recém-empossada secretária de Justiça dos Estados Unidos, uma espécie de X-men na versão feminina, que acredita que ninguém está acima da lei.

Com um QI altíssimo e a determinação de um ninja, ela coordenou a operação que prendeu sete cartolas da FIFA, entre eles José Maria Marin, ex-presidente da CBF (CBF, aquela marca estampada nas camisas amarelas vestidas em passeatas contra a corrupção, lembram? Vejam as ironias dessa nossa raça!).
Ms. Lynch tem fibra de sobra, coragem abundante e, ao que parece, ideais.

Sabe aqueles valores que andam meio embaçados, meio pastosos (eu diria que os tempos andam quase gasosos e não mais líquidos, caro Bauman!)? Me parece que ela os tem na forma sólida. Mulher negra (a primeira à frente do Departamento de Justiça) jura lutar por igualdade. Como não entender que ela tem crenças em uma sociedade melhor? Como não concluir que trata-se de adotar uma ideologia? Ideologia que esquenta o sangue e traz garra espantando qualquer medo ou acomodação. Ideologia em extinção dentro e fora do futebol. Ideologia: assim como Cazuza, eu também quero uma pra viver.

Ah! Digam aos extraterrestres que, até que me provem o contrário, ela é fora do comum. Peçam a eles que não generalizem, por favor.

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