'Qualquer Gato Vira-lata 2' é uma comédia leve e despretenciosa

Sequência é mais dinâmica que o primeiro longa e brinca com os clichês do gênero. Cotação: ** Bom

Por O Dia

Rio - Logo na primeira cena de ‘Qualquer Gato Vira-Lata 2’, quem viu o filme original já se depara com uma Tati (Cleo Pires) mais madura, ao lado de seu amor, o escritor Conrado (Malvino Salvador). E, para quem não viu, a história mostra-se fluida da mesma forma. As malas estão sendo feitas pelos dois. Ele parte para um congresso em Cancún, no México. Ela vai atrás e aproveita para fazer uma surpresa: um pedido de casamento assistido pelos amigos no Brasil, via webcam. O problema é que a atitude assusta o rapaz, que recua, soltando apenas: “Posso pensar?” Ou seja, está instalada a crise no relacionamento, que se torna um cabo de guerra. 

Tati (Cleo Pires) e Conrado (Malvino Salvador) agora vivem uma criseDivulgação


Daí por diante, parece que todos os personagens do filme original e mais uma nova leva de atores aproveitam uma promoção de pacote turístico e vão parar no mesmo hotel que o casal. A mãe de Conrado (Stella Miranda) vê na viagem não só a oportunidade de estar ao lado do filho nesse momento, mas de conseguir acalmar seus impulsos libidinosos com algum amante latino. O ex de Tati (Dudu Azevedo) tenta reconquistá-la e leva seu melhor amigo idiota (Álamo Facó) a tiracolo. Ainda surgem lá personagens como a menina contratada pelo ex de Tati para se fazer de filha dele (Mel Maia) e provar que agora ele é um homem família, e Ângela (Rita Guedes), ex-mulher de Conrado, que também participa do congresso.

Em novas mãos, ‘Qualquer Gato Vira-Lata 2’ traz avanços para a trama iniciada no longa de 2011. A direção de Roberto Santucci e Marcelo Antunez dá mais dinâmica e ritmo à comédia romântica — ainda que suas piadas não funcionem sempre. Além do roteiro de Paulo Cursico, que, mesmo contido e imperfeito, brinca com estereótipos presentes em muitas produções do gênero — como o homem galinha (Dudu Azevedo), o machista (Conrado), a pseudofeminista (Rita Guedes), a mocinha manipulada (Cléo Pires), a amiga encalhada (Leticia Novaes), a criança prodígio (Mel Maia) etc.

Esse tipo de humor tem gerado reações opostas de público e crítica. Mesmo com muitas dessas histórias conquistando a bilheteria nacional do ano, os especialistas ainda torcem o nariz para elas. Mas é importante analisar que esses filmes nascem de propostas leves, sem muitas pretensões intelectuais e filosóficas. O que não os exime de uma análise da nossa sociedade, mesmo no contexto da piada fácil.

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