Yasmin Brunet estreia na TV na pele da modelo e garota de programa Stephanie

Em seu primeiro papel, a jovem revela o que viu dos bastidores da moda: drogas, prostituição, anaroxia e bulimia

Por O Dia

Rio - É em clima de prazer a qualquer custo que Yasmin Brunet, 26 anos, estreia como atriz em ‘Verdades Secretas’, novela que vai escancarar o lado trash da moda ao retratar a prostituição de luxo e as drogas. Com 13 anos de passarela, tendo estampado capas das mais importantes revistas de tendência e comportamento, ensaios e catálogos, a modelo destaca a importância de trazer à tona assuntos até então considerados tabus no universo fashion, e que Walcyr Carrasco vai abordar, sem censura, a partir de amanhã, às 23h, na Globo. 

'Acredito em casamento. Estou casada há dez anos e não preciso de um documento para provar'André Luiz Mello / Agência O Dia


“É a primeira vez que alguém vai mostrar realmente os bastidores da moda. Esconder ou camuflar os problemas não adianta nada, só prejudica. Eu já vi tudo isso. Acho difícil a modelo que trabalha nesse meio há um tempo nunca ter ouvido falar. É como dizer que não existe anorexia, bulimia. Isso é mentira”, frisa Yasmin, durante bate-papo com o D Domingo à beira da suntuosa piscina do Copacabana Palace.

Além de expor uma realidade, ela também admite já ter sofrido com boatos de que teria distúrbios alimentares. “Não era verdade. Eu sempre fui muito magra, não sei por que agora estou dando uma encorpada, criando um bumbum que eu não tinha. Puxei o corpo do meu pai (Armando Fernandez), não o da minha mãe (Luiza Brunet). Meus ossos da bacia sempre foram saltados. E, como existe muito disso no mundo da moda, é fácil olhar para uma pessoa magra e dizer que ela sofre de algum tipo de transtorno alimentar. Eu ficava incomodada, porque não entendia como as pessoas podiam achar que sabiam tanto de mim sem nem me conhecerem. Mas passou. Não é mais um problema. Se me disserem isso hoje, eu vou rir”, esclarece.

Questionada se já teve curiosidade de experimentar algum tipo de entorpecente, ela assegura que não. “Nunca achei droga tentadora. Minha mãe me criou muito livre. Basicamente, o que eu quis fazer, eu fiz, então acho que isso me deu uma maturidade muito grande, porque eu teria que lidar com as consequências. Não tive problemas com drogas, mas vi muita gente que teve, e não só na moda, com adolescentes em geral. É muito difícil ser adolescente.”

Por esse e outros motivos, ela faz coro para que menores de idade não invistam na profissão. “Por mim, as agências teriam limite de 18 anos para aceitar modelos. Sei que isso nunca vai acontecer, porque eles gostam das novinhas, mas antes disso acho loucura. Lugar de criança não é no mundo da moda, no meio de adultos, com tanta cobrança. É muita gente dizendo que você não é boa o bastante, nunca está magra e bonita o suficiente...”, ressalta a estreante em dramaturgia, que, apesar do discurso, diz não se arrepender de ter começado cedo: “Só me arrependo do que não fiz.”

Yasmin saiu de casa aos 16 anos e assume que sentiu na pele a pressão dessa ditadura da beleza. “Até hoje. Sou superinsegura. É muito difícil uma menina começar cedo num mundo com tanta comparação. As outras são sempre mais bonitas, mais magras, mais perfeitas, tipo: a grama do vizinho é sempre mais verde. Crise, eu nunca passei, mas várias vezes pensei em desistir, quando morei fora. Ficar sozinha dava uma tristeza, uma depressão. Sentia falta da família, de amor.”

Na novela, Stephanie, primeira personagem de Yasmin, é uma modelo respeitada que faz parte do ‘book rosa’ (catálogo de garotas de programa) da agência comandada por Fanny (Marieta Severo). “Ela não é flor que se cheire, não é do bem, faz o que tem que fazer para ganhar dinheiro”, define. Para ajudar na composição, ela conheceu profissionais do sexo: “Não imaginava que fosse como eu vi e não tenho palavras para descrever o que é. São níveis de emoções diferentes, é muita tristeza, um vício em dinheiro, algumas querem sair e não conseguem... Cada uma tem uma razão para fazer o que faz. É muita solidão também. Mas essa situação me ajudou a não julgar. Foi muito boa a experiência.”

Mesmo que agora a carioca tenha sido orientada a não falar mais sobre o assunto, ela revelou na coletiva da trama que já recebeu uma proposta indecente aos 15 anos. “Uma pessoa que faz isso com uma menor de idade não merece nem resposta. Mas isso me fez crescer muito mais rápido. É bom você levar um sacode, às vezes, para ver como as pessoas são de verdade.”

Disposta a se manter no ramo da atuação — nem que para isso tenha que “abandonar a moda” —, Yasmin não se sente acuada nem nas cenas de sexo e nudez. Muito menos no beijo sensual que teve que dar em Rhaisa Batista (Mayra). “Não sou eu ali. A Rhaisa é minha amiga, e isso já me deixou bem tranquila. É uma cena de balada. A gente já estava dançando muito e com o corpo quente. Meu medo era que ficasse feio e vulgar, mas não tem como com o Mauro (Mendonça Filho) dirigindo. Eles têm tanto cuidado para que fique elegante, bonito, que eu me joguei.”

Possíveis críticas também não tiram seu sono: “Estou ansiosa pela estreia, normal. Agora, o que as pessoas vão pensar não posso controlar. Tenho que fazer o melhor possível, sendo que é a minha primeira novela, eu não tenho experiência nenhuma. Cada um tem o direito de amar, odiar, achar que sou boa ou ruim.”

Luiza Brunet, mesmo que não tenha levado adiante a carreira de atriz, dá a maior força à filha. “Ela está bem feliz e torcendo muito”, diz Yasmin, que descarta seguir os passos da mãe e virar musa do Carnaval do Rio, como tantas vezes tentaram. “Desfilaria numa boa. Lógico que nunca como rainha de bateria, porque eu não gostaria de estar num lugar em que minha mãe esteve por tantos anos e que é dela, intocável. Desfilaria para me divertir, num carro alegórico. Mas acho que, quando você vai fazer algo assim, tem que se dedicar, para fazer o melhor. Gostaria de aprender a sambar bem, para, pelo menos, fazer jus ao nome da minha mãe”, avisa.

O marido de Yasmin, Evandro Soldati, também incentiva. “Não tem ciúmes, até porque ele é modelo, trabalha com mulheres maravilhosas, fazendo fotos sensuais. O que a gente tem é uma proteção”, diz ela, que não pensa em oficializar o relacionamento: “Nunca me casaria no papel. Acredito em casamento, até porque estou casada (morando junto) há dez anos, e não preciso de um documento para provar.” A aspirante a atriz quer adotar uma criança, só não sabe quando: “Não sou de planejar nada, se vou engravidar antes ou depois de adotar, se vou ter um ou dez filhos... O que vier me deixará feliz.”

Vegetariana, ela pensa em restringir ainda mais o cardápio. “Quero cortar o sofrimento que vou ingerir. Não como carne há mais de seis anos. Nem um tipo de animal, nada que tenha olhos, coração, sangue nas veias... O que falta em todo mundo é consciência do que come. O maior luxo que uma pessoa pode ter é comer o que planta”, acredita Yasmin, que garante não ser consumista: “Não sou pão-dura. Gosto de gastar meu dinheiro com viagens, comida boa... Prefiro viver bem do que vestir marca da cabeça aos pés.”

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