Perfumes, gays e transexuais - O que levamos da última semana

Cada um dá vazão ao seu desejo e o que lhe atrai e lhe faz feliz. Simples, né? Deveria ser

Por O Dia

Rio - Há duas coisas que, na mesma semana foram bastante debatidas: o anúncio do dias dos namorados de O Boticário e a capa da ‘Vanity Fair’ com a recém-nascida Caitlyn Jenner, a transexual ex-Bruce Jenner. O primeiro babado não deveria ser motivo de alarde. Um anúncio singelo e elegante sobre opções sexuais e amorosas. Cada um dá vazão ao seu desejo e o que lhe atrai e lhe faz feliz. Simples, né? Deveria ser. Mas conhecendo um lado obscuramente retrógrado nesse país em que vivemos, O Boticário matou dois coelhos em uma só cajadada: homenageou o amor em todas as suas formas e chamou toda a atenção da data para ele. Palmas. Foi um gol de placa. O segundo babado, esse merecedor de mais considerações, me fez pensar em alguns pontos.

Cada um dá vazão ao seu desejo e o que lhe atrai e lhe faz feliz. Simples né%3F Deveria serArte O Dia

1) Caitlyn enumerou os motivos que a fizeram se tornar mulher e sexo estava em último lugar. A troca de sexo não se deu pelo desejo ou opção sexual. Bruce poderia desejar e ter relações sexuais com outro homem, sem para isso revolucionar seu corpo e sua alma.

2) Quando ela foi perguntada sobre por que mudar assim aos 65 anos, ela disse que o Bruce era uma mentira e que ela não estava mais conseguindo viver com isso. Acho que todos nós temos um limite para nossas verdades aprisionadas. Que bom que ela pode libertar a dela, ainda que aos 65.

3) Tornar-se o sexo oposto ao seu original é algo que se sente. É a identificação da alma com o espelho. Falamos aqui de aparência, modos, jeito de ser e vestir. Bruce é Caitlyn por isso. Não é uma questão do sexo que se pratica ou da genitália que se tem: Caitlyn ainda tem um pênis e não deixa de ser e se sentir mulher.

4) É oficial. Ninguém está velhinho mais aos 65. Novos tempos, sejam bem-vindos. Um homem se transforma em mulher e fica linda e atraente. Tecnologia? Poder aquisitivo? Claro que sim. Mas sobretudo o impulso de vida onde há espaço para se sentir desejada e sexy.

5) Não há dúvida de que junto com toda essa coragem de mudar, revelar e se expor, a protagonista desse fuzuê ganhou um reality show que, certamente, vai bombar — um ganho e tanto, mas não emitirei nenhum juízo de valor. Aguardemos.

6) Ser celebridade implica em muita responsabilidade também. Quantos não se sentirão encorajados pela Caitlyn e seu estado de liberdade? Espero que ela saiba disso.
7) Que perfeição a Caitlyn na capa da ‘Vanity Fair’. Viva o Photoshop ! Viva o estrogênio!

No mais, que os próximos anúncios de perfume continuem mostrando o jeito que se arranja para ser feliz !

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