Martinho da Vila fala sobre Noel Rosa e canta na Lapa

Cantor e compositor relembra a trajetória do poeta ao lado de outros artistas amanhã, em Copacabana, e leva seu show mais recente ao Circo Voador no sábado

Por O Dia

Martinho leva seu show mais recente ao Circo no sábado e amanhã celebra Noel, que, assim como ele, tem a história no samba intimimamente ligada ao bairro de Vila IsabelDivulgação

Rio - A meteorologia do samba indica que a semana será de intenso Noel Rosa para Martinho da Vila, com previsão de sambas de enredo para o fim de semana, tocados como nos tempos daquele primeiro poeta de Vila Isabel: ‘na maciota’, diriam certos cariocas. Sábado, no animado Circo Voador, o músico vai apresentar o show ‘Sambas, Enredos & Algo Mais’, baseado no CD ‘Enredo’, onde canta todos os sambas que escreveu para os desfiles das escolas. E amanhã estará no Quiosque da Globo, na Praia de Copacabana, num bate-papo musical sobre Noel ao lado do outros artistas. 

“Além do talento e de sua obra, eu gosto de lembrar da postura interessante de Noel Rosa em relação ao samba. Ele circulou, fez parcerias com sambistas de morro, foi importante para quebrar o preconceito”, diz Martinho, que aprofundou sua relação com a obra do poeta quando foi morar em Vila Isabel, encontro abençoado pela ‘geografia’ da cidade.

“Consegui fazer um resumo interessante quando desenvolvi o enredo sobre a vida de Noel, que é bastante complicada. Falar de morte é chatinho no Carnaval, mas consegui um jeito maneiro de resolver”, afirmou, sobre o enredo ‘Noel, a Presença do Poeta’ (2010). É um dos que será interpretado na Lapa, em versos como “Fez a passagem pro espaço sideral/Mas está vivo neste nosso Carnaval”.

O show de sábado valoriza as composições em andamentos e arranjos bem diferentes daqueles que compõem atualmente a trilha sonora do Sambódromo. O público vai ouvir e cantar junto clássicos como ‘Onde O Brasil Aprendeu a Liberdade’, ‘Sonho De Um Sonho’, ‘Pra Tudo Se Acabar Na Quarta-Feira’ e ‘Yá Yá Do Cais Dourado’.

“A batida do samba-enredo no desfile é predominante, até sem música já empolga e domina com o ritmo e as percussões. A gente acaba não se ligando na parte harmônica e literária, é por isso que eu fiz esse CD. Preservando a consistência rítmica mas privilegiando a riqueza melódica”, conta Martinho.

Entre as lembranças que guarda do Circo Voador, ele cita o evento Kizomba, criado por ele, que virou uma noite dedicada à cultura negra, nos anos 1980. “O público de lá é misturado e muito interessante. Uma juventude de cabeça aberta que curte todos os sons.” Em surpresa marcada para o final do show, o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Vila Isabel (Dandara Ferreira, neta de Martinho) subirá no palco, além de alguns componentes da bateria.

Amanhã, na orla de Copacabana, Martinho participará do projeto Mar de Cultura, a partir das 19h, no quiosque situado na altura da Rua Miguel Lemos. Ele falará de Noel Rosa ao lado do biógrafo João Máximo, do diretor Ricardo Van Steen e dos músicos Paulo Miklos — mediador da conversa —, Henrique Cazes e Pedro Miranda. Os dois últimos vão tocar e cantar canções marcantes do primeiro poeta da Vila. Martinho, o segundo, também deverá soltar a voz.

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