Banda, que conta com composições do filho de Caetano, lança primeiro álbum

Projeto da Dônica conta com referências de bandas inglesas e do movimento Clube da Esquina

Por O Dia

Rio - A história começa entre 2010 e 2011, nas salas da Escola Parque, na Gávea. Fanáticos por música, os amigos Lucas Nunes e José Ibarra passavam mais tempo pensando em canções e composições do que prestando atenção no conteúdo apresentado pelos professores. O amor pelos sons foi tamanho que a própria instituição decidiu separar uma sala no edifício para que eles pudessem se dedicar à paixão recém-descoberta. 

Da esquerda para a direita%3A André (bateria)%2C Miguel (baixo)%2C Tom%2C Ibarra (piano) e Lucas (guitarra). No detalhe%2C a capa do disco da bandaDivulgação


Os alicerces da banda Dônica — um nome feminino, nascido da imaginação de Ibarra — foram lançados naquele momento, com Ibarra assumindo vocal e piano, e Lucas, a guitarra. Aos dois se juntariam o baterista André Almeida, o baixista Miguel Guimarães e Tom Veloso, cujo sobrenome é um bom indicativo para saber quem é seu pai. Agora, depois de pequenos shows e apresentações em espaços menores — com exceção de um espetáculo no Tablado, realizado no ano passado —, o grupo lança seu primeiro álbum, ‘Continuidade dos Parques’ — título extraído de um conto do escritor argentino Julio Cortázar.

“Passávamos o tempo todo fazendo batucadas dentro da sala de aula. O caminho natural foi formarmos uma banda. Ainda mais depois que descobrimos que tínhamos muitas influências musicais em comum”, relembra Lucas. “Uma das principais era o rock progressivo de bandas como Emerson, Lake & Palmer, Yes e Gentle Giant, que estamos ouvindo muito nos últimos tempos”, explica Ibarra. “Além disso, toda a obra do Clube da Esquina nos marcou demais. É influência musical que está no nosso DNA e que vamos carregar para sempre.”

Não por acaso, um dos nomes fundamentais do movimento mineiro está presente no álbum de estreia da banda — Milton Nascimento participa da canção ‘O Pintor’, composição de Tom Veloso. “O Milton estava lá em casa, visitando o meu pai, e resolvi mostrar essa canção que eu havia escrito. Ele ouviu e gostou bastante. Logo em seguida, veio ao estúdio para gravar com a gente”, conta Tom.

Ao lado de Ibarra, Veloso é responsável pela maior parte das letras da banda. No entanto, sua participação no grupo tem uma particularidade: ele não sobe aos palcos nas apresentações ao vivo. “Em parte é por timidez. O fato de eu não tocar nenhum instrumento elétrico também influencia nessa decisão. Mas não é uma decisão definitiva. Essa possibilidade — de tocar ao vivo — poderá se concretizar no futuro”, admite Tom.

A chegada a uma gravadora multinacional — o álbum é lançado pela Sony — aconteceu muito rápido. Para percorrer esse trajeto, a banda passou por cima do circuito de shows e de participações em festivais da cidade que grupos costumam fazer para chamar a atenção das grandes companhias. Um caminho incomum, e que agora faz com que a banda sinta falta do que ainda não viveu. “Fizemos shows pequenos e as coisas aconteceram. Agora queremos participar de festivais e outros encontros dos quais não fizemos parte”, encerra Ibarra.

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