Prostituição em ‘Verdades Secretas’ causa revolta entre profissionais da moda

Trama das 23h divide opiniões entre tops na vida real

Por O Dia

Rio - Uma menina linda que sonha ser modelo. De repente, ela se vê em uma grande cidade e encontra a oportunidade para conquistar o mundo da moda. Mas, por trás do glamour das passarelas, existe um universo obscuro, o chamado ‘book rosa’, em que as profissionais também se prostituem. A história de Angel (Camila Queiroz), exibida na novela ‘Verdades Secretas’, de Walcyr Carrasco, tem causado muita polêmica no mundo da moda e dividido opiniões. 

Camila Queiroz na pele da protagonista AngelReprodução


“Não sabia do ‘book rosa’ e nunca recebi uma proposta indecente. A Angel faz por necessidade, e é por essas meninas que eu estou contando esta história. Não é a melhor maneira, mas é o que aparece na vida dela”, diz a protagonista da trama, Camila Queiroz, 22 anos, modelo desde os 14. “Eu já vi de tudo, drogas, prostituição. Nunca deixaria uma filha tentar ser modelo com menos de 18. A personalidade dela ainda está em formação e é facilmente influenciável”, opina Yasmin Brunet, 27, que começou a modelar aos 13 e hoje faz parte do elenco da novela da Globo como Stephanie. 

Apesar da defesa das duas atrizes, a associação do universo das modelos com o das garotas de programa tem gerado revolta. “Eu não vou ser hipócrita de dizer que nunca escutei esse termo. É claro que o ‘book rosa’ existe, mas eu nunca vi nada disso perto de mim. O problema da novela é que ela está colocando as coisas de um jeito que faz o telespectador achar que todas as modelos são vagabundas. E não é assim”, dispara Talytha Pugliesi, 33, modelo há 18. “A realidade é uma coisa e a ficção é outra, tem muita coisa na ficção que não condiz com a realidade”, ressaltou a ex-modelo e atriz Letícia Birkheuer, 36, em entrevista à rádio ‘Jovem Pan’. 

Yasmin Brunet%2C que participa da novela 'Verdades Secretas'Felipe Panfili / Ag. News


Já a top Lais Ribeiro, 24, modelo da badalada grife de lingerie norte-americana Victoria’s Secret, escreveu em seu Instagram: “A nossa indignação é que a novela mostra só a parte errada do nosso trabalho, e não o esforço que fazemos para chegar onde estamos.” 

Bastante insatisfeito, Sérgio Mattos, agente e dono da 40 Graus Models, comenta que a novela tem criado muitos problemas para o seu negócio. “A coisa já está bastante feia para modelos e agentes. Lutamos muito para profissionalizar o mercado, e a repercussão da novela não ajuda. Minhas ‘new faces’ estão sofrendo bullying e os pais estão desesperados. O que está sendo passado na novela é que o mundo da moda é só sexo, drogas e rock and roll”, reclama ele. 

Estilista e consultor de moda da novela das 23h, Dudu Bertholini acredita que não se deve levar a trama ao pé da letra: “A novela é uma obra ficcional, o foco é a dramaturgia. Não há intenção de denegrir. Até porque pessoas que se vendem por dinheiro existem em todas as áreas, no direito, no futebol ou na televisão.”

Dinho Batista, instrutor de passarela e inspiração para a criação do booker Visky (Rainer Cadete) de ‘Verdades Secretas’, tenta explicar a confusão. “A prostituição acontece mais com quem faz eventos. É claro que não estou generalizando, não é todo mundo que faz. O fato é que, na ficção, estes dois mundos — o das modelos de passarela e o das modelos de eventos — se misturaram. Mas são perfis diferentes.

Nenhum cara vai querer ir pra cama com as magricelas que desfilam. E, na novela, fica claro que aquela agência não é confiável. O ponto positivo nessa abordagem é que ela pode servir de alerta para quem procura uma agência séria”, avalia o profissional, que também atua como assessor pessoal das tops Fernanda Tavares, Isabeli Fontana, Shirley Mallmann, Emanuela de Paula, Cintia Dicker e Michele Alves.

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