Bia Willcox: Pornografia de vingança e o deus Google

Nunca se tirou tanta foto sem roupa no espelho, em modo selfie ou não, nunca se filmou tanto sexo ou promessas dele

Por O Dia

Rio - O maior efeito colateral dos tempos de alta tecnologia é a possibilidade de fotografar ou filmar e transmitir os registros daqueles momentos de sedução, tesão e paixão, potencializando e prolongando as sensações da hora.

Em outras palavras, nunca se tirou tanta foto sem roupa no espelho, em modo selfie ou não, nunca se filmou tanto sexo ou promessas dele, ou, ainda, nunca se fotografou tanto órgãos sexuais e zonas erógenas como hoje.

Quem nunca se viu envolvido pela perspectiva de conquista e aguçamento do desejo através de imagens feitas num celular ou tablet? Aposto que você já se viu mentalmente numa foto proibida ou se imaginou um filminho íntimo depois da primeira garrafa de vinho.

E, se já pensou, cogitou ou fez, está perdoado(a). Todo mundo gosta e sempre gostou de brincar, especialmente com fogo. Você tem fé no momento presente e no caráter dos envolvidos, e usa o recurso pra apimentar, conquistar ou, simplesmente, se divertir com o que está à mão.

Acontece que esses momentos têm a imortalidade de uma chama e não são infinitos, nem enquanto duram — eles passam e, quando se vê, aquela fotinho de você sem roupa ou aquele filminho pornô caseiro são postos ‘na roda’, seja em grupos de WhatsApp ou em redes sociais ou sites. Claro que para isso acontecer, conta-se sempre com a laranja podre de caráter duvidoso que cuida de espalhar o conteúdo feito na intimidade do casal. Por vingança? Provável, mas acredito que, sem grande motivo, só por maldade. É violação do contrato tácito onde nudez, sexo e outras intimidades devem ficar no âmbito privado.

A boa notícia, ou melhor, a menos pior, é que, além da ajudinha inicial da Lei Carolina Dieckmann, é a vez do Google ajudar: ele agora reconhece os danos causados pelas publicação de fotos e vídeos considerados pornografia de vingança e disponibilizará em breve um formulário para que a vítima possa solicitar a retirada de tais fotos ou vídeos do site de busca, tornando-os assim inexistentes aos olhos do Deus Google.

Tal medida ‘divina’ foi providencial para tentar manter a chama guardada entre os que vivenciaram aquele momento.

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