Escritor John Green fala sobre o lançamento do filme ‘Cidades de Papel’

De passagem pelo Rio, autor do romance que serviu de inspiração para o longa comenta os perigos da idealização

Por O Dia

Rio - John Green já é um escritor consolidado entre o público que sempre quis conquistar: os adolescentes. Depois de seis livros lançados e milhões de cópias vendidas, seus fãs lhe conferem tratamento de pop star e devoção irrestrita em vários países. Apesar de tudo, ao observar os detalhes da decoração do Golden Room do Copacabana Palace — onde o escritor esteve para divulgar o filme ‘Cidades de Papel’, junto com o protagonista do longa, Nat Wolff —, ele não consegue esconder o olhar de assombro do menino nascido em Indiana e criado em Orlando, que ainda se espanta ao perceber que suas palavras ultrapassaram várias fronteiras.  

Nat Wolff (E) protagoniza longa baseado em livro de John Green%3A dupla posa no Copacabana PalaceBruno de Lima / Agência O Dia


“Sabe, meu trabalho é sempre muito solitário, como ocorre com todo escritor. Escrevo sozinho, no porão da minha casa. Por isso, fico impressionado quando chego em um lugar como o Rio de Janeiro, cidade de um país com uma cultura tão diferente da minha, e vejo que o que eu coloquei nas páginas tocou tantas pessoas de tantas formas”, avalia. 

Green se refere ao romance ‘Cidades de Papel’, lançado em 2008, que serviu de base para o longa que entra em cartaz amanhã — um possível sucessor da trajetória bem-sucedida de ‘A Culpa é das Estrelas’, também baseado em livro dele e filme mais assistido nos cinemas brasileiros no ano passado, com 6,2 milhões de espectadores. Expectativa justificada tanto pela grande quantidade de jovens que passaram horas na porta do Copacabana Palace em busca de algum contato com o ídolo como pelos temas abordados na obra — situações vividas em algum momento por muitas pessoas. 

Na história, o jovem Quentin, vivido por Nat Wolff, cresce fascinado por sua amiga e vizinha Margo, papel da top model Cara Delevingne, que decide fugir de casa, deixando pistas para que ele possa encontrá-la. Ao longo da trama, o rapaz e um grupo de colegas — todos no último ano do ensino médio — cruzam parte dos Estados Unidos e aprendem lições sobre a importância da amizade e os perigos de projetar expectativas muito elevadas em terceiros. 

“Eu entendi o que o personagem sentia, consegui me identificar bastante com ele. O fato de idealizar alguém é sempre muito perigoso. Quentin tentará aprender essa lição ao longo do filme”, explica Wolff. “Na sociedade em que vivemos, o amor romântico é valorizado em excesso. Ao mesmo tempo, sinto que o amor que une amigos tem tido pouca atenção. Essa avaliação já estava presente no livro, mas fica mais clara no filme”, afirma Green, que diz compreender bem a responsabilidade que é escrever para pessoas que ainda vivem seus anos de formação. 

“Esse é um momento muito importante na vida de qualquer um. Quase sempre é nesse período que experimentamos várias situações pela primeira vez: tristezas, amores, decepções. Tudo acontece muito rápido para os jovens. Adolescentes já deixaram de ser crianças, mas ainda não são adultos, e esse instante é marcado por muita tensão. Desde o dia em que decidi me tornar um escritor, percebi que era sobre isso que queria escrever. Acho que tem dado certo”, comemora Green.

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